Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Singapura paga leitores para estimular hábito e combater rolagem compulsiva

Campanha nacional oferece moedas virtuais e pequenos pagamentos por sessões de leitura, mas especialistas discutem os efeitos dos incentivos.

Singapura paga leitores para estimular hábito e combater rolagem compulsiva

Singapura lançou uma campanha nacional de 5 anos para estimular a leitura e enfrentar a substituição desse hábito pela rolagem compulsiva de conteúdos curtos. O programa oferece moedas virtuais a cidadãos que registrarem seus minutos de leitura em um site do governo e prevê pequenos pagamentos como recompensa.

A iniciativa usa gamificação para acompanhar a frequência das sessões. Cada período de 15 minutos ou mais rende 20 moedas virtuais, e o participante precisa acumular 1.000 moedas para receber SG$ 1, valor equivalente a cerca de R$ 4,20 ou US$ 0,80, aproximadamente R$ 4,40. Só é possível registrar uma sessão por dia.

Leitura profunda e atenção

A chefe do Conselho Nacional de Bibliotecas, Melissa Tam, afirmou que a leitura de formato longo ajuda a desenvolver atenção, pensamento crítico e imaginação, enquanto o conteúdo curto contribui para manter as pessoas informadas. O objetivo, segundo ela, é formar leitores curiosos e atentos, preparados para lidar com um mundo mais complexo.

O programa foi criado em meio a preocupações internacionais com a redução da capacidade de atenção e a queda dos hábitos de leitura. Educadores usam a expressão “brain rot”, ou podridão cerebral, para descrever um declínio percebido nas habilidades cognitivas associado ao consumo excessivo de conteúdo superficial na internet.

Rankings globais divulgados na semana passada mostraram queda nas pontuações de leitura entre jovens de 15 anos nos Estados Unidos. Singapura e China aparecem entre as nações asiáticas com desempenho considerado notavelmente bom. O estudo apontou a distração digital em sala de aula como um dos desafios.

Para Loh Chin Ee, do Instituto Nacional de Educação de Singapura, transformar a leitura em hábito é o centro da proposta. “Para quem lê muito, 15 minutos podem parecer muito curtos, mas acho que é um ponto ideal”, disse Loh. Ela avalia que muitas pessoas continuam lendo palavras em telas, mas passaram a dedicar menos tempo à leitura profunda.

Hábito além da escola

Apesar do desempenho de Singapura nas avaliações de leitura, há preocupação com a perda do interesse dos estudantes quando eles avançam nas séries e começam a se preparar para exames maiores. O analista de risco Isaac Neo, de 32 anos, disse que a pressão escolar pode fazer com que adolescentes leiam apenas o que será cobrado nas provas e abandonem a leitura por lazer.

Depois de perceber que não pegava um livro havia anos, desde o início da carreira, Neo cofundou o Clube do Livro dos Homens Modernos em 2025. Segundo ele, participantes relatam que desejam retomar a leitura e passaram a experimentar gêneros que antes não escolheriam.

O pagamento está em fase piloto até o fim do ano. O Conselho Nacional de Bibliotecas informou que novos recursos e melhorias poderão ser incluídos com base no retorno dos participantes.

Além do incentivo individual, os leitores podem aderir a uma campanha de caridade. A organização espera reunir 7,5 milhões de minutos de leitura para arrecadar até US$ 118.300, cerca de R$ 650 mil, ou SG$ 150.000, aproximadamente R$ 630 mil, neste ano.

Debate sobre o uso de dinheiro

A recompensa financeira provocou discussão em Singapura. Críticos argumentam que as pessoas deveriam ler pelo prazer proporcionado pelos livros. Outros avaliam que qualquer mecanismo capaz de estimular a leitura em um período de hiperdistração pode ser útil.

Charmaine Lim, criadora de conteúdo de livros e estilo de vida de 28 anos, defendeu a proposta ao dizer que prefere ver pessoas concentradas em um livro a ouvir sons constantes de vídeos e dramas produzidos por inteligência artificial durante a viagem de trem.

Ashley Chia, que administra um clube do livro, afirmou que o sucesso não deveria ser medido apenas pelos 15 minutos diários. Para ela, o resultado também precisaria considerar se os participantes se tornaram leitores mais curiosos e dispostos a buscar obras além do que é imediatamente acessível ou útil.

Pesquisas citadas no debate indicam que recompensas monetárias podem reduzir a disposição natural de manter um comportamento quando o pagamento deixa de existir. Charissa Ng, psicóloga clínica principal da Putra Star Care, em Singapura, disse que o dinheiro pode funcionar melhor entre pessoas que já têm algum interesse em ler, mas pode não criar uma motivação duradoura entre aquelas sem interesse prévio.

Ainda não está claro se os pagamentos serão suficientes para competir com a dopamina associada aos algoritmos. O programa pretende testar se um incentivo pequeno e o acompanhamento diário podem ajudar os moradores a retomar o hábito de virar páginas em vez de rolar continuamente as telas.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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