Alina Asiminei atribui à educação e à determinação a construção de uma carreira que passou por Romênia, Portugal, Brasil e Inglaterra. Atualmente CCO da Bic, ela lidera uma das marcas mais populares entre os brasileiros e relembrou sua trajetória em entrevista a Fabi Saad no programa Mulheres Positivas.
A executiva nasceu na Romênia e deixou o país em busca de oportunidades depois de passar a infância sob o regime comunista. Até os 13 anos, viveu com acesso restrito a produtos e entretenimento. A televisão transmitia apenas dez minutos de desenho animado por dia, enquanto laranjas e bananas apareciam uma vez por ano, perto do Natal. As prateleiras, segundo ela, permaneciam vazias.
Educação como caminho
Quando percebeu que existia uma realidade além das fronteiras romenas, decidiu preparar-se para sair do país. Estudou relações econômicas e internacionais e aprendeu inglês com apoio financeiro dos pais. No último ano da universidade, recebeu uma bolsa de cerca de 300 euros para estudar em Portugal.
Alina foi para a Universidade do Algarve e ficou em um dormitório durante o intercâmbio. Como falava apenas russo e inglês, precisou aprender português para trabalhar e permanecer no país. Durante seis meses, estudou, conheceu a cultura portuguesa e conseguiu um estágio.
Depois de voltar à Romênia e concluir a faculdade, mudou-se para Bucareste, onde ficou na casa de uma amiga. Durante os primeiros seis meses, trabalhou à noite limpando máquinas no McDonald’s. Pela manhã, procurava empresas e entregava currículos.
A rotina levou a um contato com a Nestlé. Alina entrou na empresa e, posteriormente, conseguiu uma transferência para Portugal após procurar uma bolsa em Lisboa na Embaixada de Portugal na Romênia. Lá, começou como trainee.
Passagem por multinacionais
A executiva permaneceu cerca de cinco anos na Nestlé de Portugal antes de seguir para a operação brasileira. Ao todo, passou dez anos na companhia, em áreas de liderança de marketing. No Brasil, chegou como gerente responsável pela marca Mucilon e foi enviada ao Nordeste para visitar consumidores e entender seus hábitos.
Durante esse período, teve uma filha em São Paulo e se casou com um português. Mais tarde, trabalhou por mais dez anos na Philips, onde ampliou sua experiência em operações de consumo e negócios B2B.
A trajetória também incluiu a Kimberly-Clark. Depois de cinco anos na empresa, foi convidada a cuidar da operação de consumo em Londres. Por meio de uma headhunter, acabou recrutada para a Bic, onde hoje ocupa o cargo de CCO.
Ao falar sobre a própria carreira, Alina resumiu a postura que considera necessária para avançar profissionalmente: “Eu saí com nada, mas eu sempre acreditei muito que, do que eu sei fazer, eu sei fazer bem”.








