LONDRES — O governo britânico reafirmou nesta segunda-feira (7) que não pretende pagar indenizações pelo papel do país no tráfico transatlântico de escravizados. No mesmo dia, uma delegação da Jamaica entregou no Palácio de Buckingham uma petição dirigida ao rei Charles III, com pedido de compensação de 10 bilhões de dólares.
Um porta-voz do primeiro-ministro britânico Andy Burnham disse que a posição oficial permanece inalterada e afirmou que o Reino Unido “não paga nem pagará reparações”. A administração britânica classificou a prática colonial como “abominável” e reconheceu que o país se beneficiou significativamente do comércio, mas sucessivos governos não apresentaram um pedido formal de desculpas nem abriram negociações econômicas sobre o tema.
A comitiva jamaicana foi liderada pela ministra da Cultura, Olivia Grange. A petição solicita que o monarca peça orientação ao Comitê Judicial do Conselho Privado, em Londres, órgão que funciona como tribunal de apelação final para a Jamaica e outros territórios da Comunidade das Nações.
Questões jurídicas e restituição de artefatos
O documento questiona se a escravização de africanos na Jamaica era legal sob o direito inglês, se violava o direito internacional e se o Reino Unido tem obrigação legal de indenizar os danos provocados pelo comércio de escravizados. A iniciativa é apresentada como a primeira vez que um membro da Commonwealth recorre a essa via jurídica.
Grange também cobrou a restituição de artefatos caribenhos mantidos em museus britânicos. O governo britânico rejeitou formalmente o pedido. Charles III estava na Escócia durante a entrega em Londres, ausência que provocou críticas locais. Graham Smith, diretor-executivo do grupo antimonárquico Republic, afirmou que “mais uma vez, Charles busca se esconder quando o assunto é a escravidão e o império”.
As reivindicações jamaicanas ocorrem após um comitê das Nações Unidas determinar que os Estados devem considerar reparações pelo tráfico transatlântico. O organismo também defendeu a revisão e a reparação dos danos atuais ligados ao tráfico de africanos escravizados e à escravidão racializada.









