O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, determinou a retirada de postos avançados de colonos instalados sem autorização oficial na Cisjordânia. A medida foi informada neste domingo por duas pessoas a par do assunto e ocorre após pressão dos Estados Unidos por ações contra ataques de colonos a palestinos.
Ainda não há definição sobre o início da operação. Os postos são geralmente formados por trailers pré-fabricados e ocupados por um pequeno número de colonos. Em diferentes momentos, o Estado de Israel demoliu estruturas desse tipo e reconheceu formalmente outras, permitindo o acesso a financiamento governamental.
Pressão dos Estados Unidos
O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, chamou de terroristas os colonos envolvidos em violência e defendeu consequências severas. A declaração foi feita no sábado, depois de uma reunião com vários palestinos-americanos em uma cidade palestina da Cisjordânia.
O site israelense Ynet informou que a ordem poderia atingir cerca de 100 postos avançados em todo o território ocupado. O gabinete do primeiro-ministro e as forças armadas, que normalmente participariam da retirada, não responderam imediatamente a um pedido de comentário.
Questionado em uma conferência em Jerusalém sobre a informação, o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, afirmou que Netanyahu deu “uma instrução para desocupar locais construídos nas Áreas A e B”. Essas áreas são partes da Cisjordânia onde vive a maioria dos palestinos.
Pelos Acordos de Oslo, firmados na década de 1990 entre Israel e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), a Cisjordânia foi dividida nas zonas A, B e C. Smotrich, que é colono e supervisionou projetos habitacionais nos assentamentos, disse discordar da decisão, mas afirmou que o governo avançou na promoção dos assentamentos na Área C.
Estruturas e violência
A Peace Now, organização israelense que critica a expansão dos assentamentos e defende uma solução de dois Estados, calcula que existam 340 postos avançados na Cisjordânia, além de 146 assentamentos reconhecidos formalmente pelo governo israelense.
No mês passado, colonos cercaram casas de palestinos em uma vila próxima, incluindo uma pertencente a um palestino-americano. Militares os expulsaram da área, mas moradores disseram continuar enfrentando assédio e intimidação.
O governo israelense condenou a violência dos colonos. Os órgãos da ONU e a maioria dos governos consideram todos os assentamentos israelenses ilegais pelo direito internacional e classificam a Cisjordânia como território ocupado sob controle militar. Israel afirma que o território é disputado, não ocupado.









