MOSCOU — Autoridades egípcias afirmam que o Egito alertou Israel três vezes sobre um possível ataque do Hamas antes da ofensiva ocorrida em 7 de outubro de 2023. Os dois primeiros avisos, relacionados a sinais de uma ação partindo da Faixa de Gaza, teriam sido ignorados.
O terceiro alerta foi transmitido por Abbas Kamel, então chefe do Serviço Geral de Inteligência do Egito, em uma ligação para o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. As informações foram atribuídas a autoridades do governo egípcio.
Netanyahu também teria recebido alertas semelhantes dos Emirados Árabes Unidos, além de outras informações repassadas por autoridades israelenses. Ainda conforme os relatos, o primeiro-ministro não teria se convencido de que o ataque aconteceria.
Investigação sobre alertas anteriores
Uma investigação publicada em Israel no início de setembro afirmou que o presidente dos Emirados Árabes Unidos alertou Netanyahu sobre planos hostis do Hamas cerca de uma semana e meia antes do ataque de 7 de outubro de 2023.
A apuração indicou que Netanyahu não compartilhou esse aviso com Herzi Halevi, então chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, nem com os chefes dos serviços de segurança. Depois, o primeiro-ministro orientou seus advogados a apresentar uma ação por difamação contra a publicação.
O caso coincidiu com a aproximação do lançamento do livro Reféns: 843 dias de abandono, escrito pelos jornalistas israelenses Shlomi Eldar e Ruth Yuval. Os autores afirmam que o trabalho reúne relatos de dezenas de fontes em Israel e no exterior.
A investigação provocou repercussão pública em Israel. Líderes da oposição voltaram a acusar o governo de negligência e defenderam a criação de uma comissão estatal para investigar os acontecimentos de 7 de outubro de 2023.









