GENEBRA — O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, exigiu que os Estados Unidos sejam responsabilizados pelas mortes de migrantes sob custódia e suspendam deportações para países onde essas pessoas possam sofrer danos irreparáveis.
Em discurso de abertura no Conselho de Direitos Humanos da ONU, nesta segunda-feira, 7, Türk afirmou que mais quatro pessoas morreram sob custódia da imigração americana desde junho. Com isso, o total chegou a 23 mortes somente em 2016. “É preciso haver responsabilização por essas mortes”, declarou.
Deportações e devido processo
O comissário também criticou o envio de migrantes para locais perigosos ou para países com os quais eles não têm ligação. Entre os destinos mencionados está o Haiti. Türk pediu que os Estados Unidos interrompam essas transferências e assegurem o devido processo legal nas deportações para países terceiros.
“Exorto os Estados Unidos a cessarem o envio de pessoas para locais onde possam sofrer danos irreparáveis, incluindo o Haiti”, afirmou ao Conselho.
O presidente americano, Donald Trump, estabeleceu o combate à imigração ilegal como uma das prioridades de seu segundo mandato e promoveu a detenção de milhares de pessoas.
Um relatório conjunto da Human Rights Watch e da Physicians for Human Rights, divulgado em junho, apontou que a taxa de mortes sob custódia do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos, conhecido como ICE, alcançou o maior nível em mais de uma década.
Türk ainda disse estar alarmado com alegados planos do ICE de equipar agentes de imigração com luvas de eletrochoque. Para o alto comissário, a medida aumentaria a violência associada às operações.
O ICE também é alvo de críticas por mortes a tiros durante ações de fiscalização. Entre os casos citados estão os de dois cidadãos americanos em Minnesota, em janeiro, que participavam de protestos contra a agência.








