As prisões realizadas pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) atingiram os maiores níveis desde o início do governo Trump durante o verão. Foram 43.000 detenções em junho, mais de 49.000 em julho e quase 51.000 em agosto, em uma expansão da fiscalização migratória que ocorreu com pouca repercussão pública.
A atuação incluiu hospitais, aeroportos, escolas suburbanas, canteiros de obras, postos de gasolina, paradas de caminhões, florestas nacionais e locais de votação. As operações alcançaram cidades do Maine ao Arizona, além de áreas do Wyoming e regiões próximas à fronteira sul.
Operações espalhadas pelo país
Em estados governados por republicanos, como Texas e Flórida, o ICE ampliou as ações por meio de parcerias com xerifes e policiais rodoviários estaduais. Em áreas governadas por democratas, os agentes intensificaram as atividades apesar de leis destinadas a restringir sua atuação.
David Bier, diretor de estudos sobre imigração no Cato Institute, afirmou que as parcerias locais, os recursos federais e as novas tecnologias descentralizaram as operações. Para ele, o aumento simultâneo em diferentes lugares e por métodos variados reduziu a atenção pública sobre as prisões.
A maioria dos detidos foi acusada de violar leis civis de imigração e não havia sido indiciada ou condenada por crime. Em comunicado, o ICE defendeu a ampliação da fiscalização e declarou: “Os resultados falam por si.”
As prisões de imigrantes cresceram em quase todos os estados. Os maiores aumentos percentuais nas detenções diárias ocorreram em Oregon, Montana, Havaí, Novo México, Vermont e Nova Jersey.
Em Harrison, Nova Jersey, onde residentes asiáticos e hispânicos representam cerca de 65% da população, agentes à paisana cercaram o veículo de Tugrul Ozkarsli, de 33 anos, segundo sua mulher, Kendra Ozkarsli, de 46 anos. Natural da Turquia, ele entrou legalmente nos Estados Unidos com visto de negócios em dezembro de 2024 e aguardava a análise de um pedido de visto de estudante.
O ICE informou que o pedido pendente não conferia status legal a Ozkarsli e citou uma prisão por acusações de furto em Nova York no ano passado. Kendra disse que as acusações foram arquivadas e mantidas em sigilo.
Abordagens em estradas e aeroportos
As abordagens de trânsito tiveram papel central no aumento das operações. Em Houston e Biddeford, no Maine, ações terminaram em tiroteios fatais envolvendo policiais. Na Flórida, um confronto entre ocupantes de um veículo e agentes em um posto de gasolina provocou um acidente de carro fatal.
Em Milwaukee, Frankely Quezada, de 34 anos, e Estenderly Marte Polanco, de 31 anos, faziam compras com o filho de 7 anos quando perceberam um SUV sem identificação seguindo a van. Outros veículos cercaram o carro, e agentes retiraram Polanco do veículo. Ela permanece detida no Kansas, sem direito à fiança, depois de ficar nos Estados Unidos além do prazo do visto.
Em julho, agentes também intensificaram abordagens em aeroportos. Imagens gravadas em 13 de julho mostram agentes à paisana abordando um funcionário no Aeroporto Internacional de Dallas Fort Worth antes de um voo para Portland, Oregon. O funcionário chamou uma passageira pelo sistema de som, e os agentes a levaram até um veículo descaracterizado.
Segundo o ICE, a mulher estava detida por ter excedido o prazo do visto. As autoridades não divulgaram seu nome nem informaram seu paradeiro.
Tribunais, hospitais e escolas
Agentes federais passaram a ser vistos com mais frequência dentro e nas proximidades de tribunais, hospitais e escolas. O ICE admitiu operar em tribunais, mas afirmou que seus agentes não tinham como alvo escolas.
A agência declarou que a Constituição não impede a prisão de uma pessoa acusada de violar a lei no local onde ela é encontrada. Também disse que realizar detenções em tribunais preserva recursos policiais porque as autoridades já sabem onde o alvo estará.
Em Madison, Wisconsin, Roger Hansen, de 83 anos, afirmou que agentes prenderam cinco pessoas em duas lavanderias que pertenciam a ele durante junho. Imagens de segurança mostram um jovem sendo levado ao chão perto de um dispenser de sabão enquanto outras pessoas continuavam lavando roupa.
O ICE informou que as prisões fizeram parte de operações direcionadas em Wisconsin no fim de junho. As cinco pessoas, originárias da Nicarágua e do México, estavam ilegalmente no país, segundo a agência.








