O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que negociações com os Estados Unidos podem permitir a retomada do comércio pelo Estreito de Hormuz. A rota é usada no transporte de petróleo e gás, e o líder iraniano rejeitou uma solução militar para a crise.
“Resolver a crise do Estreito de Ormuz é possível por meio de negociações, não pelo uso da força”, disse Pezeshkian. Ele também afirmou que a passagem permanecerá aberta ao comércio caso as conversas resultem em uma solução para a disputa.
Proposta iraniana
Pezeshkian atribuiu a Washington a responsabilidade pelo bloqueio que, na avaliação dele, levou Teerã a restringir a circulação de navios. O presidente disse que o fechamento do estreito é uma resposta ao bloqueio dos caminhos do Irã.
Enquanto os governos analisam propostas para encerrar o impasse, negociadores americanos e iranianos discutem uma saída em etapas. O plano prevê que Teerã permita a retomada da navegação por Ormuz e que Washington suspenda o bloqueio econômico contra o Irã. Nenhum dos lados quer abrir mão primeiro de seu principal instrumento de pressão.
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, transmitiu aos Estados Unidos, por meio do Catar, uma proposta com prazo de sete dias. O plano prevê medidas iniciais de Washington, a reabertura do estreito no sexto dia e o início das conversas sobre um acordo mais amplo no sétimo.
Entre as exigências apresentadas pelo Irã estão o fim do bloqueio naval de seus portos, a liberação de recursos congelados e medidas relacionadas às sanções sobre as vendas de petróleo. Até a apresentação da proposta, não havia anúncio de aceitação americana.
Divergências
O Irã defende o alívio do bloqueio antes de uma negociação ampla sobre seu programa nuclear. Os Estados Unidos querem que a questão nuclear seja discutida desde o início. A proposta iraniana retoma elementos de um entendimento firmado em junho, que abriu espaço para conversas de paz, mas foi desfeito após novas disputas sobre as regras de navegação em Hormuz.
Em discurso na Assembleia Geral da ONU, o presidente americano, Donald Trump, exigiu a reabertura completa do estreito e o retorno do Irã às negociações, além de voltar a ameaçar o país. Lideranças do Golfo defendem a liberdade de navegação e pressionam por uma solução política.
Antes da guerra, cerca de um quinto do petróleo e gás comercializados no mundo passava pelo Estreito de Ormuz. A retomada regular da circulação depende de um acordo sobre o bloqueio americano, as condições iranianas e as regras de passagem.







