A Força Espacial dos Estados Unidos confirmou nesta segunda-feira (14) que o país mantém armas posicionadas no espaço. É a primeira admissão pública de Washington sobre a presença de capacidades militares em órbita.
O comunicado informa que os EUA possuem armas de controle espacial capazes de defender a Força Conjunta contra ações hostis de adversários. A nota não revela quais sistemas são utilizados, onde estão posicionados nem qual é o alcance operacional deles.
Segundo a Força Espacial, essas capacidades permitem disputar e controlar o espaço e afetar sistemas de adversários. A instituição também declarou que as armas podem ser empregadas para finalidades ofensivas e defensivas.
Tensão com China e Rússia
A declaração ocorreu durante o governo de Donald Trump, em meio ao aumento da tensão estratégica entre Estados Unidos, China e Rússia. Washington considera Pequim e Moscou os principais competidores militares em uma área relevante para comunicações, vigilância, navegação e comando de operações.
No comunicado, a Força Espacial afirmou que a China desenvolve e opera capacidades espaciais e antiespaciais como parte de sua estratégia de modernização militar. Sobre a Rússia, declarou que o país considera o espaço um domínio de combate e vê a supremacia espacial como fator decisivo em conflitos futuros.
Victoria Samson, diretora de segurança espacial da Fundação Secure World, avaliou que a declaração representa uma mudança na postura pública do governo dos EUA. “Isso é muito importante, porque não acho que qualquer autoridade do governo dos EUA tenha falado isso antes”, disse.
Para Samson, China e Rússia podem fazer declarações e movimentos semelhantes, o que, na avaliação dela, não atenderia aos interesses da segurança nacional americana. A confirmação pública também pode ampliar a percepção de que uma corrida armamentista no espaço está em andamento.
Tratado e uso militar dos satélites
A disputa espacial começou a ser estudada com maior intensidade durante a Guerra Fria, após o lançamento do satélite soviético Sputnik, em 1957. Estados Unidos e União Soviética pesquisaram o uso da órbita para vigilância, comunicação e ataques contra satélites adversários.
O Tratado do Espaço Sideral, assinado em 1967, proibiu a colocação em órbita de armas de destruição em massa. O acordo não impede, porém, o desenvolvimento de outras tecnologias militares espaciais.
Estados Unidos, Rússia, China e Índia avançaram em sistemas capazes de interferir, danificar ou destruir satélites. Esses equipamentos são usados em comunicações seguras, monitoramento de tropas, vigilância de territórios, orientação de mísseis, navegação por GPS e coleta de inteligência.
A neutralização de satélites pode prejudicar a coordenação militar de um adversário. A presença de armas em órbita também aumenta os riscos de escalada, acidentes e destruição de estruturas espaciais utilizadas por atividades civis.









