WASHINGTON — A embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti, afirmou nesta quarta-feira (9) que a relação entre os dois países atravessa um período incomum, marcado por medidas contra o Brasil e divergências que colocam à prova uma parceria diplomática de mais de dois séculos.
A declaração foi feita durante uma cerimônia em Washington pelos 205 anos da Independência do Brasil. O discurso ocorreu após meses de tensão entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, com a imposição de tarifas adicionais de 37,5% sobre produtos brasileiros e a revogação do visto da embaixadora.
“Nos últimos meses, houve uma série de medidas contra o Brasil e, ao longo de todo esse período, nossa postura tem sido consistentemente priorizar o diálogo, as negociações e a busca por soluções”, afirmou Viotti.
Apesar das divergências, a diplomata disse que Brasília continuará priorizando a negociação com Washington. Ela citou a visita de Lula aos Estados Unidos, em maio, e a conversa telefônica entre os presidentes brasileiro e estadunidense, em agosto, como sinais dessa estratégia.
Agenda bilateral
Viotti defendeu que os governos brasileiro e norte-americano superem os atritos recentes e retomem uma agenda voltada a áreas de interesse comum. A embaixadora afirmou que a relação deve ser baseada na confiança, no diálogo e na busca por interesses compartilhados.
A diplomata também destacou a capacidade das instituições brasileiras de resistir a períodos de forte polarização política. Segundo ela, a solidez das instituições democráticas está entre os principais motivos de orgulho do Brasil.
“Num mundo polarizado, as instituições democráticas do Brasil demonstraram notável resiliência”, disse.
Viotti mencionou ainda as eleições brasileiras, cujo primeiro turno está previsto para o início de outubro. Para ela, o processo deverá confirmar a capacidade da democracia brasileira de administrar diferenças políticas dentro de um marco democrático.
A manifestação ocorreu em meio a esforços de distensão entre Brasília e Washington, após uma sequência de conflitos políticos, diplomáticos e comerciais que deterioraram a relação bilateral nos últimos meses.








