SÃO PAULO — O presidente do Corinthians, Osmar Stábile, recebeu 19 ameaças explícitas de morte na semana anterior ao anúncio da renovação do clube com o atacante holandês Memphis Depay. As mensagens foram anexadas pela defesa do dirigente em manifestação enviada ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que o denunciou por apropriação indébita de R$ 721 mil no caso da empresa Bear Security.
Stábile nega ter usado recursos do Corinthians em benefício pessoal. A defesa informou que ele registrou queixa na Delegacia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva (Drade) e reuniu 25 registros de ligações e mensagens de WhatsApp enviados por 22 números diferentes. Os contatos tinham DDDs de diversos estados brasileiros e de México, Canadá e Estados Unidos.
As intimidações começaram a se intensificar em 11 de agosto de 2026, quando dados telefônicos pessoais e informações bancárias de Stábile e de familiares foram divulgados em redes sociais. Na mesma data, o Corinthians anunciou a desistência da renovação com Memphis, alegando saúde financeira.
Entre os arquivos entregues à investigação estavam imagens de revólveres e facas, além do endereço residencial do presidente acompanhado de ameaça de morte. As mensagens também exigiam a permanência de Memphis no elenco. A renovação até 2028 foi anunciada em 18 de agosto, depois que a diretoria retomou as negociações por valores mais acessíveis. Ainda assim, houve registros de ameaças até 23 de agosto.
Defesa relaciona ameaças à contratação de segurança
A defesa sustenta que as ameaças estavam ligadas às decisões de Stábile como presidente, e não à vida privada dele. O escritório Drummond e Nogueira Advocacia Penal também afirma que a contratação da Bear Security Ltda. foi uma medida de proteção institucional.
Segundo a manifestação, o Corinthians contratou a empresa depois de episódios de violência e hostilidade contra o dirigente. Entre eles está a invasão de 31 de maio de 2025, quando o ex-presidente Augusto Melo e apoiadores entraram na sede do clube, no Parque São Jorge, e exigiram a saída de Stábile da presidência.
A peça menciona ainda a agressão física ao meia Luan em um estabelecimento privado de São Paulo, ameaças contra o goleiro Cássio e familiares, um protesto ocorrido em junho de 2024 no Parque São Jorge e ocupações da sede social ao longo de 2025.
Os advogados citam o artigo 119, alínea “f”, do Estatuto Social do Corinthians, que autoriza despesas com serviços internos e eventuais de qualquer natureza. Também afirmam que contratações semelhantes foram feitas nas gestões anteriores, em 2016 e 2021. O clube declarou, em junho, que Stábile escolheu a empresa por confiar nos profissionais e que o contrato passou pelo sistema de compliance.








