Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Venezuela pode precisar de até US$ 40 bilhões para recuperar rede elétrica

Retomada do setor de petróleo deve elevar a demanda por energia, enquanto investidores avaliam riscos e novas regras para entrar no país.

Venezuela pode precisar de até US$ 40 bilhões para recuperar rede elétrica

A recuperação do sistema elétrico da Venezuela pode exigir investimentos entre US$ 15 bilhões e US$ 40 bilhões e levar de três anos a até uma década. A estimativa é de Francisco Morandi, consultor e ex-vice-presidente global da AES, que também foi diretor da Electricidade de Caracas.

A retomada da indústria petrolífera deve aumentar a demanda por eletricidade, mas o país ainda precisa recuperar estruturas de geração, transmissão e distribuição deterioradas ao longo de mais de vinte anos. A rede foi estatizada por Hugo Chávez no final dos anos 2000.

Investidores e nova legislação

Empresas de petróleo, como a Chevron, companhias independentes americanas e grupos de private equity aparecem entre os possíveis primeiros investidores. Morandi também citou grupos brasileiros e colombianos com boas relações com o governo americano. A expectativa é que empresas chinesas fiquem fora do processo devido ao papel dos Estados Unidos na nova Venezuela.

A entrada de capital depende, em parte, da aprovação de uma nova lei para o setor elétrico. O projeto, em discussão no Congresso, prevê investimentos privados em parceria e segue um modelo inspirado nos Contratos de Participação Produtiva adotados para o setor de petróleo, com participação da estatal PDVSA. A votação do texto final é esperada nas próximas semanas.

Morandi afirmou que a proposta tem pontos de atração, mas também prevê riscos elevados, incluindo a possibilidade de punição criminal pelo descumprimento de indicadores de qualidade do serviço. Para ele, os primeiros participantes tendem a aceitar riscos maiores e buscar uma venda futura para investidores mais dispostos a atuar no país.

Capacidade abaixo da demanda

Antes da estatização, o sistema elétrico venezuelano era o terceiro maior da América Latina, atrás do Brasil e do México, e contava com grupos internacionais como AES e uma infraestrutura considerada avançada. Atualmente, faltam dados completos sobre as condições da rede, o que explica a diferença entre as projeções de investimento.

A Venezuela tem capacidade instalada estimada em 36 gigawatts, mas apenas 12 GW ou 13 GW estariam em condições de operar. Cerca de 10 GW correspondem a hidrelétricas, sujeitas à possibilidade de menor produção por causa da seca em um ano de expectativa de El Niño severo. O consumo chega a picos de 15 GW, acima da capacidade disponível.

Além da geração insuficiente, há anos de falta de manutenção na transmissão e na distribuição. Nas principais cidades, os apagões ocorrem diariamente e podem durar duas ou três horas. Em outras áreas, a interrupção do fornecimento é ainda mais prolongada.

A alternativa mais simples para iniciar a retomada seria ampliar sistemas de geração a gás ligados à indústria petrolífera. Mesmo assim, seria necessário recuperar a transmissão e a distribuição e reorganizar o sistema elétrico interligado. A expansão também enfrenta a falta de crédito para o país e a fila de anos para a entrega de turbinas, em razão da demanda mundial por esses equipamentos.

A instabilidade econômica pode levar investidores a exigir retornos em dólares, enquanto os consumidores talvez não consigam pagar tarifas suficientes para garantir a atratividade dos projetos. Nesse cenário, o governo americano e bancos de desenvolvimento podem apoiar o processo com financiamentos diretos ou garantias.

Os primeiros acordos já foram anunciados. Delcy Rodríguez assinou com a GE Vernova um memorando para recuperar 1 GW em turbinas em 24 meses e superar 5 GW restaurados em quatro anos. A argentina IMPSA firmou outro acordo para concluir a hidrelétrica de Tocoma, com mais de 2 GW, e recuperar turbinas existentes na usina de Macagua.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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