Walter Schalka, membro do conselho de administração da Suzano, defende que o Supremo Tribunal Federal demonstre que ninguém está acima da lei após a divulgação de mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Para ele, a demora na adoção de medidas pode ampliar a deterioração institucional e reduzir a confiança de empresários e investidores que dependem da Justiça.
Schalka afirma que a crise alcançou o Judiciário depois de décadas de problemas de corrupção no Executivo e no Legislativo. Na avaliação dele, a perda de credibilidade do STF fragiliza a última instituição em que os brasileiros ainda depositavam confiança e aumenta a desconfiança em relação ao Estado.
O conselheiro da Suzano também rejeita que o caso seja tratado sob uma lógica eleitoral. Ele diz que o Banco Master envolveu pessoas da esquerda e da direita e que as providências devem ser avaliadas acima da disputa política. “Não podemos colocar isso num contexto eleitoral”, afirmou.
Entre as medidas que considera necessárias estão o afastamento cautelar do procurador-geral da República, Paulo Gonet, da investigação do caso e o impedimento dos ministros Alexandre de Moraes e Toffoli no julgamento. Schalka também critica a tentativa de envolver o ministro Mendonça para impedir sua participação na votação.
Para ele, o STF precisa explicar à sociedade como pretende recuperar a própria credibilidade. Schalka cita o Mensalão, o Petrolão, a fraude do INSS e o Banco Master como episódios que contribuíram para a perda de confiança no Estado. Também afirma que o país não pode repetir o que ocorreu após o Petrolão, quando, em sua avaliação, a forma prevaleceu sobre a essência das acusações.
O empresário cobra uma resposta rápida de Edson Fachin, presidente do STF. “O Fachin tem a obrigação, não o direito, de tomar medidas de forma célere”, disse. Schalka afirma confiar na integridade do ministro, mas alerta que decisões influenciadas por interesses pessoais ou corporativos fariam o Supremo perder seu último espaço de credibilidade.
Ele defende ainda que empresários e sociedade se manifestem por meio dos mecanismos jurídicos adequados e, se necessário, ocupem as ruas novamente. Schalka menciona a atuação do Renova BR e diz que manifestações não devem se limitar a documentos.
Na avaliação dele, o país precisa substituir a discussão centrada na rejeição de candidatos por debates sobre propostas, qualidade de vida, oportunidades, empregos e os efeitos da tecnologia na transformação da sociedade.








