O futuro da comunicação é o ponto de partida para a reflexão de Regina Augusto em Presente Mais-que-Perfeito: Ensaios sobre Comunicação, Mercado e Poder. No livro, a autora questiona o papel da comunicação em um cenário no qual a tecnologia passa a influenciar não apenas a atenção, mas também as escolhas e os desejos das pessoas.
“Não dá pra prever absolutamente nada”, disse Regina ao comentar a velocidade das transformações. Para construir a parte dedicada ao amanhã, ela entrevistou Alice Pataxó, ativista climática e liderança indígena do povo Pataxó, e Caetano Galindo, linguista e professor da UFPR.
A obra, publicada pela Afluente, tem 342 páginas e é dividida em três atos: “Ontem”, “Hoje” e “Amanhã”. O título faz referência ao pretérito mais-que-perfeito, tempo verbal usado para tratar do passado anterior a outro passado. Na interpretação da autora, o presente reúne elementos que deveriam ter ficado para trás.
Uma carreira acompanhando mudanças
Regina iniciou a carreira no Grupo Folha, em 1994. Em 1996, passou a trabalhar como repórter no Meio & Mensagem e, posteriormente, tornou-se editora-chefe. Também foi colunista de O Estado de S. Paulo, liderou a área de PR da Ogilvy e, desde 2022, ocupa a diretoria executiva do Cenp-Meios.
Foi durante a cobertura dos primeiros saques das cédulas do Plano Real que ela começou a acompanhar uma transformação econômica de grande alcance. Nos anos seguintes, a atuação no Meio & Mensagem a colocou no centro das principais transações e campanhas do mercado publicitário.
Um executivo do setor definiu Regina como “temida e respeitada por todos”. Naquele período, DPZ, W/Brasil, DM9 e AlmapBBDO desenvolviam estilos próprios, enquanto Washington Olivetto, Nizan Guanaes e Marcello Serpa ampliavam a projeção internacional da criatividade brasileira. Mais tarde, grandes grupos internacionais compraram várias dessas agências.
Professora da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), Regina usa referências da própria trajetória para examinar o consumo, a comunicação e o mercado. A inteligência artificial e as “canetas emagrecedoras” aparecem entre as tecnologias e fenômenos observados na análise.
A autora afirma que o livro não é uma biografia nem uma obra de saudosismo. A proposta, segundo ela, é descrever e analisar as mudanças acompanhadas ao longo de três décadas.









