Londrina, Quarta-feira, 30 de setembro de 2026
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Expansões e modernização recolocam hidrelétricas no radar do setor elétrico

Leilões, reformas de usinas antigas e projetos reversíveis abrem uma nova frente de investimentos na geração hídrica brasileira.

Expansões e modernização recolocam hidrelétricas no radar do setor elétrico

A indústria de equipamentos para hidrelétricas se prepara para uma nova sequência de encomendas no Brasil, impulsionada por expansões de usinas existentes, modernizações e estudos para implantação de unidades reversíveis. O movimento ocorre depois de mais de uma década sem novos projetos de grande porte no país.

No leilão de capacidade de março, foram contratadas expansões de usinas da AXIA Energia, da Copel e da chinesa SPIC, somando 2,5 gigawatts em potência. O resultado encerrou um intervalo de grandes projetos hídricos que vinha desde 2013, quando foram licitadas as concessões de Sinop e São Manoel, no rio Teles Pires.

As expansões aproveitam espaços deixados nos projetos originais das hidrelétricas, permitindo acrescentar equipamentos com baixo impacto ambiental. Estudos indicam potencial de 7,5 GW apenas com a instalação de máquinas adicionais em usinas antigas. Há ainda possibilidade de 11 GW por meio da repotenciação e da modernização de estruturas já existentes.

Usinas antigas ganham novas funções

A mudança também está na forma de operação das unidades que já produzem energia. As hidrelétricas passaram a ser acionadas com frequência acima do comum principalmente no final da tarde e no início da noite, quando o consumo aumenta e a geração solar diminui.

A flexibilidade para elevar a produção nos períodos de maior necessidade e de preços mais altos aumentou o valor dos ativos hídricos. Ao mesmo tempo, o uso mais intenso reforça a necessidade de manutenção e atualização tecnológica, criando demanda adicional para fabricantes de equipamentos.

A fonte hídrica chegou a representar mais de 90% da capacidade instalada de geração até os anos 1990. A participação caiu com as dificuldades para licenciar projetos e com o avanço das fontes eólica e solar, chegando aos 47% atuais.

Para Cláudio Trejger, CEO de Hydro Power da GE Vernova, o setor passou por uma retração após a conclusão de grandes empreendimentos, como Jirau, Santo Antônio e Belo Monte. “Depois começou essa retomada”, afirmou.

Reversíveis entram nos planos

Governo e empresas estudam as chamadas usinas reversíveis, que operam com dois reservatórios e funcionam, na prática, como baterias para o sistema. A Copel pretende apresentar ainda neste ano projetos que totalizam 4 GW, enquanto outros grupos conduzem estudos de viabilidade.

Trejger disse que a indústria pode aproveitar uma combinação de oportunidades: ocupar espaços disponíveis em usinas antigas, desenvolver projetos reversíveis e executar modernizações. A GE Vernova já trabalha em retrofits das usinas de São Simão, da SPIC, e de Tucuruí e São Domingos, da AXIA.

A empresa também foi contratada para modernizar tecnologicamente a hidrelétrica binacional de Itaipu. As obras terão execução gradual ao longo de 14 anos para preservar o funcionamento da usina.

Falta de profissionais preocupa

As privatizações da Cesp, da Eletrobras e da Copel são apontadas por Trejger como fator positivo para acelerar investimentos em ativos antigos. Segundo ele, boa parte da base instalada de hidrelétricas tem mais de 40 anos e precisa de grandes reformas.

A expansão dos projetos, porém, pode pressionar a capacidade da indústria. Além do espaço nas fábricas, há preocupação com a disponibilidade de engenheiros especializados, já que muitos profissionais migraram para outros segmentos durante o período de baixa.

Trejger afirmou que o interesse pela área voltou a crescer entre estudantes e recém-formados. “Hoje eu acho que é diferente. Voltou a ter um certo apelo, o pessoal está interessado”, disse o executivo.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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