Londrina, Quarta-feira, 7 de outubro de 2026
O Brasil em um ponto
Economia

Rachewsky critica culpa por associação em análise sobre Bolsonaro e empresários

Autor defende que indivíduos e instituições sejam avaliados por seus próprios atos, sem equivaler diálogo político a endosso ou participação em crimes.

Rachewsky critica culpa por associação em análise sobre Bolsonaro e empresários

Roberto Rachewsky contesta a análise de João Moreira Salles sobre empresários que conversam com Flávio Bolsonaro e afirma que interlocução política não basta para caracterizar apoio a tortura, autoritarismo ou uma tentativa de golpe. Para ele, cada pessoa deve ser responsabilizada por seus próprios atos, com provas de participação, financiamento, ordem, ocultação ou colaboração consciente.

O autor diz não estar defendendo Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, Carlos Alberto Brilhante Ustra ou qualquer outra pessoa mencionada na análise. A crítica, segundo Rachewsky, é dirigida à régua usada para avaliar os empresários. Ele rejeita a ideia de que jantar ou conversar com Flávio Bolsonaro transforme automaticamente alguém em defensor de Ustra, cúmplice de uma futura ditadura ou apoiador das ações atribuídas ao pai.

Associação não equivale a responsabilidade

Rachewsky sustenta que justiça exige examinar o caráter e as ações de cada indivíduo. Na avaliação dele, a homenagem de Jair Bolsonaro a Ustra não transforma Flávio Bolsonaro em torturador, assim como a defesa do pai não torna automaticamente seus interlocutores responsáveis pelas condutas atribuídas a ele.

O autor também questiona a afirmação de que empresários sabem exatamente quais são os riscos associados a Flávio Bolsonaro. Para Rachewsky, é possível demonstrar que uma informação foi publicada, que alguém recebeu um documento ou participou de uma reunião, mas não afirmar como dezenas de pessoas processaram essas informações ou quais conclusões tiraram delas.

Ele critica ainda a ideia de que empresários estariam diante de uma escolha entre responsabilidade fiscal e tortura. Na avaliação apresentada, é possível condenar a tortura e, ao mesmo tempo, discutir dívida pública, inflação, impostos, gasto estatal, insegurança jurídica, censura e abuso institucional sob a perspectiva dos direitos individuais.

Comparação com a trajetória de Walther Moreira Salles

Rachewsky menciona que Walther Moreira Salles, pai de João Moreira Salles, foi ministro da Fazenda de João Goulart e manteve interlocução com o presidente e com Lincoln Gordon, embaixador dos Estados Unidos no Brasil, no final de 1963, antes do golpe militar.

Para o autor, essas conversas não provam que Walther Moreira Salles tenha participado de um golpe. A comparação é usada para defender que a mesma regra deve ser aplicada aos empresários que conversam com Flávio Bolsonaro em 2026: diálogo com alguém envolvido em uma crise política não demonstra, por si só, concordância com suas intenções.

Rachewsky também questiona a distinção feita entre jornalistas e empresários. Segundo ele, se jornalistas podem entrevistar pessoas sem legitimá-las, empresários deveriam ter o mesmo direito de ouvir um candidato, fazer perguntas, discordar e conhecer suas propostas. Informação, afirma, não equivale a aprovação, legitimação ou cooperação consciente.

O debate sobre o Oito de Janeiro

Sobre o Oito de Janeiro, Rachewsky reconhece a ocorrência de invasão, vandalismo e destruição de patrimônio público. Defende que quem destruiu, agrediu ou invadiu ilegalmente responda por seus atos, mas afirma que é necessário demonstrar a capacidade objetiva de tomar o poder para caracterizar uma tentativa efetiva de golpe.

O autor registra que o STF adotou juridicamente a tese de tentativa de golpe e que houve condenações com base nessa interpretação, enquanto as defesas contestaram a caracterização dos acontecimentos. Na avaliação dele, Lula tomou posse, o Congresso permaneceu funcionando, o STF não foi dissolvido, as Forças Armadas não depuseram o presidente eleito, nenhum decreto de ruptura entrou em vigor e Jair Bolsonaro não estava no Brasil em 8 de janeiro.

A conclusão apresentada é que intenção, preparação e execução não são equivalentes. Por isso, Rachewsky defende que a análise deve identificar quem fez o quê, com quais meios e qual foi o nexo causal.

Crítica à aplicação seletiva de princípios

O autor acusa Salles de não aplicar a mesma régua à esquerda brasileira. Ele cita as relações políticas de Lula e do PT com governos autoritários da esquerda latino-americana e a relação do Brasil com regimes autoritários fora do continente, inclusive o Irã. Ao mesmo tempo, reconhece que uma relação diplomática, por si só, não prova adesão moral — argumento que usa para questionar a transformação de proximidade e interlocução em culpa quando o alvo são adversários políticos.

Rachewsky também critica o uso de programas sociais como uma discussão baseada apenas em compaixão. Na visão defendida por ele, a questão anterior é a origem dos recursos e a existência de uma obrigação jurídica de fornecê-los. O autor afirma ainda que subsídios, proteção regulatória e financiamento favorecido usados para transferir riqueza de terceiros a empresários não caracterizam capitalismo.

Ao final, Rachewsky afirma que não é necessário inocentar Bolsonaro para criticar Lula, nem absolver Ustra para condenar abusos atuais. Defende que Flávio Bolsonaro responda por seus atos, Jair Bolsonaro pelos próprios atos, Lula por suas ações, assim como Ciro Nogueira e André Esteves.

A tese central do texto é que culpa não é herdada e que a urna não determina o que é verdadeiro ou justo. Para Rachewsky, democracia deve ser avaliada pela proteção à vida, à liberdade, à justiça, à propriedade, à expressão, à associação e ao devido processo, sem que a vitória eleitoral autorize violações desses direitos.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5