Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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PF aponta negociação entre Vorcaro e ex-presidente do BRB em fraude de R$ 17 bilhões

Mensagens indicam tentativa de ajustar taxas, compensar perdas futuras e avançar em operações com falhas documentais, segundo a Polícia Federal.

PF aponta negociação entre Vorcaro e ex-presidente do BRB em fraude de R$ 17 bilhões
Foto: Banco Master/Divulgação e Lúcio Bernardo Jr./Agência Bra

Mensagens apreendidas pela Polícia Federal mostram uma negociação entre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), para viabilizar operações envolvendo carteiras de crédito e a compra do banco. A investigação estima a fraude em aproximadamente R$ 17 bilhões.

Os diálogos integram documentos do Caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF). O sigilo foi levantado nesta sexta-feira, 11, pelo relator, ministro André Mendonça, a pedido do presidente da Corte, Edson Fachin. Daniel Vorcaro não se manifestará, segundo sua defesa. Os dois estão presos.

Carteiras de crédito

De acordo com a PF, equipes do BRB identificaram, ainda em 2024, problemas em carteiras de crédito consignado cedidas pelo Banco Master. Vorcaro pediu ajuda para concluir uma operação rapidamente e sugeriu carteiras do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Paulo Henrique apontou que alguns ativos tinham inadimplência elevada e reclamou da taxa de originação, custo associado aos contratos. Vorcaro perguntou como a operação poderia ser vantajosa para o BRB. O então presidente do banco sugeriu manter as demais taxas para reduzir a necessidade de prestar explicações internamente. Vorcaro respondeu: “dou um jeiro (jeito).”

A PF afirma que os dois também discutiram compensar, em operações futuras do BRB, eventuais perdas que Vorcaro tivesse para ajustar as taxas e permitir a compra dos ativos. Para os investigadores, as mensagens indicam uma relação que ultrapassava a negociação de carteiras entre as instituições.

Paulo Henrique é acusado de receber R$ 146 milhões em imóveis como propina. A investigação também aponta que o BRB comprou créditos considerados problemáticos do Master e tentou adquirir o banco de Vorcaro.

Avanço sem documentação completa

Em 31 de agosto de 2024, Vorcaro reclamou de atrasos do BRB, e Paulo Henrique explicou que os papéis tinham perfil de alto risco. Nas mensagens seguintes, os dois afirmaram que permaneceriam unidos. Para a PF, o conteúdo indica que eles se viam como parceiros em projetos, incluindo a compra do Banco Master pelo BRB.

Em 11 de março de 2025, 17 dias antes do anúncio da compra do Master pelo BRB, os dois conversaram sobre imóveis. Paulo Henrique afirmou que não haveria transação sem documentação. A PF avalia que o diálogo revela a existência de negócio travado pela falta de documentos.

Vorcaro, porém, pressionou pelo avanço das operações. Segundo a polícia, ao defender que era necessário “partir pro gol e depois arrumar a casa do que faltou”, ele tentava convencer Paulo Henrique a concluir negócios mesmo com falhas documentais.

Em 18 de abril, depois do anúncio da compra do Master pelo BRB, Paulo Henrique disse que queria visitar a instituição em São Paulo. Vorcaro respondeu que ele poderia ir quando quisesse e afirmou que deveria considerar o banco como seu. O ex-presidente do BRB respondeu que a instituição continuaria pertencendo a Vorcaro.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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