CIDADE REAL, ESPANHA — A nova geração do Jeep Compass será produzida no Brasil a partir de 2028, na fábrica de Goiana (PE), e terá papel central no plano de investimentos de R$ 32 bilhões da Stellantis para a América do Sul até o fim da década. O modelo também vai estrear uma nova arquitetura modular na unidade, que poderá ser usada posteriormente em outros veículos do grupo.
O Compass atual acumula mais de 500 mil unidades emplacadas desde o lançamento da segunda geração no Brasil, em setembro de 2016. O novo SUV não tem relação com o modelo vendido atualmente no país e chega com mudanças estruturais, aumento nas dimensões e opções híbridas e elétricas na Europa.
Mais espaço e capacidade de carga
O comprimento passou a 4,55 metros, com crescimento de 15 centímetros. A largura chegou a 1,93 m, após aumento de 8,5 cm, enquanto o entre-eixos alcançou 2,80 m, uma expansão de 16 cm. Segundo a Jeep, o espaço para as pernas na segunda fileira aumentou 5,5 cm.
A ampliação favorece passageiros nas pernas, na cabeça e nos ombros. Como as baterias ficam sob o assoalho, porém, o piso traseiro é mais alto. Para preservar a distância até o teto, os bancos foram posicionados mais abaixo, o que deixa as pernas de ocupantes altos mais dobradas. O teto panorâmico também reduz parte do espaço disponível.
O porta-malas cresceu de 410 litros para 550 litros. A tampa tem abertura automática por meio da chave, e o compartimento conta com iluminação de LED nas duas laterais. O banco traseiro pode ser rebatido na divisão 40/20/40, permitindo transportar objetos compridos sem rebater os assentos laterais.
A cabine ganhou apoio de braço central com dois porta-copos, duas entradas USB tipo C, saídas de ar-condicionado e portas com materiais macios. O painel reúne quadro de instrumentos digital de 10,25” e central multimídia de 16”. O console central passou a usar seletor giratório, que libera espaço para carregador de celular por indução.
Motorização prevista para o país
Na Europa, o Compass terá versões híbridas leves e elétricas. O sistema MHEV de 48 Volts combina motor 1.2 PureTech turbo de três cilindros, com 136 cv, a um motor elétrico de 28 cv. A potência combinada é de 145 cv, com 23,4 kgfm de torque e bateria de 0,9 kWh.
Também há as configurações elétricas Standard Range, com 213 cv, bateria de 74 kWh e autonomia de até 500 km no ciclo WLTP, e Long Range, com 231 cv, bateria de 96 kWh e alcance de até 650 km. A 4xe Full Electric tem dois motores, tração integral, 375 cv e autonomia de até 600 km.
Para o Brasil, a Jeep estuda o sistema híbrido pleno BioHybrid. A configuração deverá usar o motor 1.3 turbo T70, adaptado para funcionamento flex, no lugar do 1.6 turbo previsto no conjunto usado pelo Cherokee nos Estados Unidos. A potência deve ficar acima de 200 cv, mas a definição final ainda não foi divulgada.
Outra possibilidade considerada é a adaptação de um sistema híbrido em série ou de autonomia estendida ao motor T270 flex. As versões elétricas continuam sem definição para o mercado brasileiro.
O Compass T270 2026 registra, segundo o Inmetro, 7,3 km/l na cidade e 8,6 km/l na estrada com etanol. Com gasolina, as médias informadas são de 10,1 km/l no ciclo urbano e 12,1 km/l no rodoviário. Na Europa, o sistema MHEV tem consumo médio divulgado de 17,1 km/l.
Do investimento anunciado para a América do Sul, R$ 13 bilhões serão direcionados ao Polo Automotivo de Goiana (PE). A unidade deverá produzir seis novos veículos híbridos do grupo, e a linha de montagem tem flexibilidade técnica para operar com mais de uma plataforma.








