BRASÍLIA — A expansão da produção de petróleo na Guiana e no Suriname ampliou o interesse do Mercosul em aprofundar relações comerciais com os dois países. O Brasil vê oportunidades para exportar equipamentos, serviços especializados e infraestrutura voltados à indústria de óleo e gás, além de alimentos, medicamentos, produtos agrícolas, equipamentos médicos e bens de capital.
As negociações com o Suriname estão mais avançadas e ocorrem exclusivamente entre os dois países, por meio de um acordo bilateral. O Ministério das Relações Exteriores e o governo surinamês assinaram, em maio deste ano, termos de referência para discutir a ampliação do acordo comercial existente. Atualmente, o tratado é concentrado em uma cota de exportação de arroz do Suriname para o mercado brasileiro.
A aproximação entre o Mercosul, a Guiana e o Suriname começou no fim dos anos 1990, quando o objetivo era estreitar os vínculos do bloco com a Comunidade do Caribe. As descobertas de petróleo e gás deram novo impulso às tratativas e aumentaram o interesse na cadeia de exploração offshore.
Equipamentos e serviços para exploração offshore
O setor brasileiro de bens e serviços para petróleo é apontado como uma das áreas com maior potencial de avanço. Entre os produtos e atividades citados estão engenharia submarina, embarcações de apoio, válvulas, tubulações, risers, árvores de natal submarinas, manutenção e inspeção.
O presidente-executivo da Associação Brasileira das Empresas de Bens e Serviços de Petróleo (ABESPetro), Telmo Ghiorzi, defendeu a continuidade da prospecção brasileira. “O Brasil não pode ficar sem perfurar”, declarou.
Para Walberto L. Oliveira Filho, sócio do escritório Ernesto Borges Advogados, Guiana e Suriname precisam formar rapidamente uma cadeia de fornecedores. Ele citou como vantagens para empresas brasileiras a proximidade geográfica, a escala industrial e a experiência em águas profundas.
Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e Suriname somou US$ 54,9 milhões, quase 99% em exportações brasileiras. Com a Guiana, o fluxo chegou a US$ 118,8 milhões e foi deficitário em US$ 62,4 milhões para o Brasil, devido exclusivamente à importação de óleo bruto.
Acesso ao Caribe
Além do petróleo, os dois países são considerados corredores para ampliar a presença comercial do Mercosul no Caribe. O governo brasileiro avalia que o reforço da infraestrutura logística entre o Norte do Brasil, a Guiana e o Suriname pode facilitar o acesso a portos caribenhos e reduzir distâncias e custos para exportadores.
Entre as possibilidades de integração terrestre estão conexões rodoviárias por Roraima, pela BR-401, e pelo Amapá, pela BR-156.
O Mercosul também tenta avançar em uma aproximação comercial com a República Dominicana. O Brasil coordena as negociações com Santo Domingo desde 2020, mas a resistência dominicana a novos acordos limitou os avanços. Os países do bloco discutem um possível acordo-quadro semelhante ao firmado com o Panamá, que permitiria negociações bilaterais posteriores. A República Dominicana ainda não respondeu formalmente às propostas apresentadas pelo Mercosul nos últimos anos.








