A candidatura de Marcelo Portugal Gouvêa à presidência do São Paulo Futebol Clube será lançada nas próximas semanas. Pela oposição, ele tentará repetir o caminho do pai, último presidente eleito por esse grupo, no pleito de dezembro.
Aos 44 anos, Marcelo é advogado e sócio há 15 anos do Dinamarco, Beraldo & Bedaque Advocacia. Sua relação com o clube começou na infância, nos anos 1980, quando acompanhava o pai, então diretor de futebol.
Dívida e reestruturação
O candidato afirma que a dívida bilionária do São Paulo poderá dobrar durante a próxima gestão se o modelo atual continuar. “Talvez seja a nossa última oportunidade de salvar o São Paulo”, disse.
A proposta inclui menos contratações e maior aproveitamento da base de Cotia. Marcelo cita um levantamento interno segundo o qual apenas 20% dos reforços recentes chegaram a 150 jogos pelo clube.
Ele também não descarta uma SAF com 100% das ações sob controle do próprio São Paulo, desde que a possibilidade seja aprovada pelo Conselho. A ideia, segundo Marcelo, seria vinculada a regras de governança e ao estatuto, e não à decisão de quem estiver no poder.
O pai comandou o clube entre 2002 e 2006 e participou da conquista dos títulos de 2005: Paulista, Libertadores e Mundial contra o Liverpool. Marcelo afirma que não busca repetir essa marca. “O que eu mais quero é que o São Paulo esteja reestruturado.”
Trajetória na oposição
O pai morreu em 2008. No mesmo ano, Marcelo foi eleito conselheiro pela primeira vez. Em 2014, tornou-se conselheiro vitalício, depois de permanecer na oposição ao longo de quase duas décadas.
Ele integrou a comissão que investigou o caso Far East, contrato de material esportivo que terminou com a renúncia de Carlos Miguel Aidar. Também defende a discussão do voto direto dos sócios, hoje restrito aos conselheiros, e rejeita coalizões formadas com distribuição de cargos entre grupos políticos.
Marcelo avançou na disputa interna da oposição enquanto Rogério Caboclo, ex-presidente da CBF, recuou da possibilidade de lançar candidatura própria.
O cenário do clube inclui o afastamento de Julio Casares por impeachment em janeiro, em meio a investigações sobre desvio de recursos na venda de atletas. No futebol, a equipe trocou de técnico três vezes este ano e flertou com o rebaixamento.
Marcelo promete informar a torcida sobre decisões e resultados positivos ou negativos. Caso vença, assumirá uma função executiva depois de quase duas décadas de atuação como conselheiro, fiscalização e oposição.









