A estrutura de capital para viabilizar novos empreendimentos se tornou um dos principais obstáculos à expansão da hotelaria brasileira, segundo Cristiano Vasques, sócio-diretor da HotelInvest. Durante o FNH (Fórum Nacional da Hotelaria), ele afirmou que muitos hoteleiros têm recorrido ao capital próprio para crescer, em um ambiente de custos de construção elevados e falta de funding.
“Hoje, o capital próprio tem sido a forma adotada por muitos hoteleiros para expandir”, disse Vasques. Para o executivo, a escolha evidencia as dificuldades enfrentadas pelo setor para financiar novos projetos.
Oferta em ritmo moderado
O país tinha 152 hotéis em desenvolvimento em janeiro do ano passado. No começo deste ano, o número subiu para 178 empreendimentos. Na avaliação apresentada no evento, o avanço ainda é pequeno diante das necessidades do mercado.
Vasques afirmou que o cenário macroeconômico pode manter a expansão contida no próximo ano e talvez em 2028. Entre os fatores citados estão juros elevados, inflação pressionada, perda de força da atividade econômica e um câmbio sensível. A proximidade das eleições presidenciais também pode afetar a conjuntura econômica, as decisões de investimento e o desempenho da hotelaria.
Indicadores perdem força
No primeiro semestre deste ano, as diárias cresceram 1,5% em relação ao mesmo período de 2025. O RevPAR, indicador que relaciona a receita aos apartamentos disponíveis, avançou 2,3%, mas perdeu tração na comparação anual.
A ocupação permaneceu relativamente estável nos últimos anos, enquanto a diária média teve evolução mais significativa durante a recuperação do mercado. Nos últimos seis meses, porém, esse indicador começou a se estabilizar, sinalizando o amadurecimento do ciclo de recuperação do setor.
A combinação entre ocupação, diária média e RevPAR passou a mostrar uma etapa diferente daquela observada nos primeiros movimentos de retomada. Para os hotéis, o acompanhamento da demanda e da capacidade de sustentação das tarifas ganhou importância na avaliação da receita por apartamento disponível.
Concorrência do aluguel de curta duração
O avanço do short-term rental também entrou na análise apresentada por Vasques. O modelo ampliou a oferta de hospedagem em mercados importantes e aumentou a concorrência com os hotéis.
Em São Paulo, a oferta desse tipo de hospedagem cresceu 182% entre 2023 e 2026. O executivo afirmou, contudo, que já há sinais de estabilidade nesse movimento, o que pode aliviar a pressão sobre a hotelaria. No Rio de Janeiro, a evolução é semelhante e pode ocorrer de forma ainda mais acentuada.
Para Vasques, o desempenho dos hotéis dependerá da quantidade de novos empreendimentos que chegar ao mercado. A expansão do inventário pode alterar a dinâmica competitiva, enquanto as condições de financiamento e o ambiente econômico influenciam diretamente o desenvolvimento dos projetos.









