Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Greve da Caixa trava vendas de imóveis e repasses para obras

Paralisação iniciada em 10 de setembro retém contratos, atrasa medições de obras e pressiona o caixa das construtoras.

Greve da Caixa trava vendas de imóveis e repasses para obras
Foto: Tiago Queiroz/Estadão 03/10/2012

A greve dos funcionários da Caixa Econômica Federal, iniciada em 10 de setembro, já interrompe a tramitação de financiamentos imobiliários e atrasa a liberação de recursos para obras. O movimento também reduz as vendas de imóveis que dependem de crédito do banco e pressiona o fluxo de caixa das construtoras.

A Caixa responde por dois terços dos financiamentos habitacionais do País e concentra todas as operações do Minha Casa, Minha Vida (MCMV). O banco fecha, em média, 3,2 mil contratos de financiamento por dia, equivalentes a R$ 920 milhões.

Considerando 13 dias de greve, uma estimativa conservadora aponta que 20% dos contratos interrompidos representariam 8,3 mil vendas de imóveis comprometidas. Se 50% das operações fossem afetadas, o número chegaria a 20,8 mil vendas.

Efeitos sobre vendas e obras

A abertura de contas e o encaminhamento de documentos para análise de crédito dependem, em parte, das agências. Correspondentes bancários continuam trabalhando, mas a aprovação final do financiamento cabe às equipes da Caixa. Na região metropolitana de São Paulo, 293 agências estão fechadas, conforme o Sindicato dos Bancários. Não há balanço nacional.

O impacto é maior no Minha Casa, Minha Vida porque, nesse programa, o cliente é encaminhado ao financiamento logo depois da assinatura do contrato de compra e venda do imóvel na planta. Sem o repasse, a venda não é confirmada e o dinheiro não chega às empresas.

“Vai ter um empoçamento grande de operações aí”, afirmou José Urbano Duarte, especialista em crédito imobiliário e ex-vice-presidente de habitação da Caixa. Ele também disse que a contratação de novos financiamentos será mais afetada e que a normalização levará algum tempo depois do fim da greve.

Os atrasos também atingem obras já financiadas. Os repasses são feitos mensalmente após a verificação do andamento do empreendimento. A medição, realizada por funcionário da Caixa ou agente terceirizado, precisa ser analisada por equipes internas antes da liberação dos recursos.

Pressão no fluxo de caixa

A BRZ Empreendimentos calcula impacto de R$ 24 milhões no fluxo de caixa. Desse total, R$ 17 milhões correspondem a 196 vendas de apartamentos com contratos de financiamento retidos. Outros R$ 7 milhões estão relacionados a recursos de obras de 14 canteiros cuja medição está atrasada.

“A greve da Caixa impacta desde a assinatura da venda do imóvel até a liberação do recurso para obra”, disse Anderson Lopes Morais, diretor comercial da empresa, especializada no MCMV e com atuação em 32 cidades de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.

A construtora informou que vai priorizar o pagamento aos funcionários e começou a negociar novos prazos com fornecedores de serviços e materiais. Um executivo de uma grande construtora listada na bolsa afirmou, sob reserva, que a situação é mais difícil nas cidades do interior com apenas uma agência, enquanto as capitais ainda têm alternativas abertas.

A expectativa era que a greve terminasse na segunda-feira, 21, mas não houve acordo. Na terça-feira, 22, a Caixa comunicou às construtoras que adotaria a medição remota dos canteiros enquanto durar a paralisação. As empresas devem enviar uma planilha preenchida online. Depois do fim do movimento, os técnicos voltarão às medições em campo.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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