George Arison, CEO do Grindr, planeja levar os dois filhos ao escritório quando eles tiverem por volta de 10 anos. A intenção, segundo ele, é mostrar de perto a dedicação exigida pelo trabalho e ajudar as crianças a desenvolverem resiliência.
Nascido na União Soviética, Arison imigrou para os Estados Unidos na adolescência. Enquanto estudava, trabalhou em empregos temporários e terminou a faculdade com US$ 500 no bolso. Ele atribui parte de sua trajetória à exposição precoce às dificuldades e à observação do trabalho do avô.
O executivo fundou a Taxi Magic, empresa que foi vendida por um valor não divulgado e passou a se chamar Curb. Em outubro de 2022, assumiu o comando do Grindr, aplicativo de encontros LGBTQ+ com 15 milhões de usuários mensais. Seu pacote inclui salário de US$ 1 milhão por ano, além de bônus e opções de ações.
Trabalho como aprendizado
Arison afirma que seus filhos crescem em Palo Alto, na Califórnia, em condições muito diferentes das que ele enfrentou. Por isso, ele e o marido discutiram maneiras de prepará-los para desafios futuros sem retirar deles as condições de vida que têm hoje.
Uma das medidas será incluir as crianças, ainda pequenas, nas conversas sobre o trabalho. Arison diz que elas ainda não entendem o que significa administrar uma empresa, mas que faz questão de falar sobre o assunto. Ele também pretende levá-las à sede do Grindr daqui a alguns anos.
“Quero que eles se envolvam muito mais no meu trabalho do que a maioria dos pais envolveria os filhos no deles”, afirmou Arison.
O executivo trabalha geralmente de 10 a 12 horas por dia e considera importante que os filhos observem sua rotina. A referência vem do avô, que ocupava um cargo de alto escalão no sistema soviético e costumava levá-lo ao trabalho quando ele tinha 7 anos. Para Arison, acompanhar essa atividade ajudou a formar sua disposição para o trabalho.
Ele também relaciona grandes oportunidades a responsabilidades e diz que deseja que os filhos compreendam essa relação ao vê-lo atuar profissionalmente. Aos 49 anos, o CEO considera que a observação direta pode ensinar aspectos da dedicação que não seriam transmitidos apenas em conversas.
Esqui e convivência
A segunda estratégia adotada por Arison é o esqui. Ele colocou os filhos nas pistas desde muito jovens porque considera o esporte complexo e sujeito a imprevistos. A atividade, na avaliação dele, permite que as crianças experimentem tanto a satisfação quanto as dificuldades de enfrentar algo exigente.
Arison conta que, no passado, às vezes precisava saltar do teleférico três ou quatro assentos antes do final quando o equipamento parava. Ele afirma que os filhos provavelmente não precisarão passar pela mesma situação, mas ainda assim poderão lidar com os desafios próprios do esporte.
Além de trabalhar a resiliência, o esqui é visto pelo executivo como uma maneira de fortalecer a relação com as crianças. Como sua rotina profissional ocupa grande parte do dia, a atividade permite que os três se desliguem do trabalho e passem tempo juntos.
Arison diz que amigos e mentores com filhos mais velhos lhe recomendaram participação intensa em um dos esportes das crianças. Para ele, esse envolvimento pode criar uma proximidade que seria mais difícil de estabelecer quando um dos pais não está presente no dia a dia.
“Fazemos isso juntos. E é muito importante que eu esteja lá para eles quando estão esquiando”, disse.








