As plataformas de apostas online já movimentam o equivalente a 12,3% do comércio eletrônico brasileiro, mais que o dobro dos 8,3% registrados em 2023. No varejo em geral, a participação passou de 2,7% para 3,4% das vendas líquidas no mesmo período e deve alcançar 3,5% neste ano, de acordo com o Bradesco BBI.
O banco prevê que o mercado continue crescendo em ritmo de dois dígitos nos próximos anos. A avaliação considera três fatores: a base de usuários ainda reduzida em comparação com o restante da região, a regulação do setor e o alto nível de adoção digital no Brasil.
Mercado em expansão
A regulação das bets online entrou em vigor no início de 2025 e foi apontada pelo Bradesco BBI como um dos fatores que impulsionaram o setor. A receita bruta de jogos, conhecida pela sigla GGR, cresceu 33% no ano passado e chegou a US$ 17 bilhões no Brasil. Antes da regularização, a estimativa do banco era de US$ 13 bilhões.
Para este ano, a projeção é de alta de 11%, para cerca de US$ 20 bilhões. Apesar do ritmo menor, o Bradesco BBI identifica espaço para novas taxas de crescimento de dois dígitos, porque 22% dos adultos brasileiros utilizam plataformas de apostas — nível inferior ao observado em mercados mais maduros.
O relatório também dimensiona o gasto das famílias. O apostador online desembolsa, em média, R$ 122 por mês, valor equivalente a 7,5% do salário mínimo de 2026. Considerando todas as modalidades, incluindo jogo do bicho e apostas online não regulamentadas, o comprometimento pode chegar a 15% do salário mínimo. Cada uma dessas duas modalidades responde por 19% do GGR total do país.
Efeito sobre o consumo
Empresas como Lojas Renner, Magazine Luiza, Casas Bahia, Assaí, GPA, Arcos Dorados e SmartFit citaram o avanço das bets entre as justificativas para resultados ruins. A avaliação apresentada foi de que as apostas reduzem a renda disponível dos consumidores de baixa renda.
Os analistas do Bradesco BBI, porém, classificam o endividamento associado às bets como um “risco marginal de carteira e de comportamento financeiro”, e não como uma questão macroeconômica de grande escala. Para o relatório, os gastos já pesam sobre o consumo mais discricionário, mas ainda não afetam significativamente o consumidor em geral.
O cenário pode ganhar relevância diante do endividamento das famílias: 82% delas têm algum tipo de dívida e quase 30% do orçamento familiar está comprometido com esses pagamentos.
O público apostador é majoritariamente masculino, com 68% dos usuários. Quase metade tem até 30 anos. Entre os usuários, 25% acessam quatro ou mais sites, enquanto 48% utilizam apenas uma plataforma, indicando concentração de parte dos gastos em uma minoria bastante ativa.









