O Jetour T2 XWD 4x4 acelerou de zero a 100 km/h em 6,1 segundos durante os testes, mesmo com mais de 2.600 kg. O resultado coloca o SUV híbrido plug-in próximo do desempenho de modelos médios alemães e ajuda a explicar a estratégia da marca para disputar consumidores de veículos de luxo.
Lançado por R$ 349.990, o modelo passou a ter tração 4x4 em julho. Em agosto, registrou mais de mil emplacamentos, o dobro do BMW X1 no mesmo período e acima do volume alcançado pelo Audi Q3 em 2026.
Sistema híbrido e números de potência
O conjunto mecânico reúne um motor 1.5 turbo a gasolina, com 135 cv e 20,4 kgfm, e três motores elétricos, de 102 cv, 122 cv e 238 cv. A Jetour informa a soma dos propulsores, de 597 cv, mas não divulga a potência combinada efetivamente enviada às rodas. No documento do veículo, aparecem 290 cv.
A energia dos motores elétricos vem de uma bateria de 43,2 kWh. O componente pode ser recarregado em tomadas ou durante a condução, por meio da recuperação de energia nas frenagens e desacelerações. Também há um modo que usa o motor 1.5 como gerador.
Em recarga, o T2 aceita até 7 kW em eletropostos lentos, de corrente alternada, e 40 kW em equipamentos rápidos, de corrente contínua.
Consumo e autonomia
No uso urbano, o SUV registrou 4,6 km/kWh e 20 km/l de gasolina. A autonomia projetada exclusivamente no modo elétrico é de 198 km. Os testes foram realizados com o ar-condicionado ligado e com o modo de condução mais econômico selecionado.
Na estrada, com maior participação do motor a combustão, o consumo ficou em 11,5 km/l. O tanque de 70 litros permite rodar 805 km. Com a contribuição da bateria, a autonomia chega a algo próximo de 1.100 km, abaixo dos 1.300 km divulgados pela Jetour.
Desempenho, dimensões e condução
Na pista do Rota 127 Campo de Provas, o T2 foi 0,7 s mais rápido que o GWM Tank 300, de peso e porte semelhantes. Nas retomadas, o modelo andou lado a lado com o Audi Q3 e ficou 0,2 s atrás na aceleração de zero a 100 km/h.
O peso aparece com mais clareza nas frenagens. Partindo de 100 km/h, o Jetour precisou de 44,9 metros para parar, quase 10 m depois do Q3, que é cerca de meia tonelada mais leve.
Na cidade, o funcionamento predominantemente elétrico e a resposta imediata dos três motores favorecem saídas rápidas e retomadas. A largura de 2 m pode dificultar a circulação em algumas faixas. O SUV mede 4,79 m de comprimento, 1,87 m de altura e tem 2,80 m de entre-eixos.
A tração 4x4 é acompanhada por vão livre de 20,5 centímetros, capacidade de imersão de 70 cm e modos de condução Neve, Lama, Areia, Pedra e Modo X, além de Normal, Eco e Sport. A suspensão traseira multilink recebeu braços redesenhados para acomodar o terceiro motor elétrico.
Os pneus de uso misto são opcionais. Com os pneus padrão, voltados ao asfalto, e a suspensão macia, o T2 oferece conforto ao passar por valetas, buracos e lombadas. Também apresenta estabilidade em junções de pista e curvas rápidas. A carroceria inclina nas curvas, enquanto a direção elétrica é leve na cidade e pouco firme em velocidades elevadas, mesmo no modo Sport.
Cabine e equipamentos
O acabamento utiliza materiais macios, emborrachados ou aveludados nas portas, no painel e nos bancos. Plástico duro quase não aparece no interior.
Entre os equipamentos estão ar-condicionado de duas zonas, carregador por indução de 50 W com ventilação, pacote Adas completo, câmera de 540 graus, quadro de instrumentos digital de 10,3 polegadas, central multimídia de 15,6 polegadas, teto solar panorâmico e iluminação interna com diversas cores.
Ao destravar o veículo, os LEDs dos faróis e da grade formam uma sequência de luzes. O carro também não se movimenta com o câmbio em Drive se o motorista não estiver usando o cinto.
O conjunto reúne desempenho, equipamentos, acabamento e conforto para disputar espaço em uma faixa de preço ocupada por marcas tradicionais. A proposta fora de estrada, porém, convive com pneus mistos opcionais e com uma direção que perde firmeza em velocidades mais altas.








