Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Descontos nos carros novos mudam referência e derrubam valor dos seminovos

Negociações de veículos com até três anos recuaram 9,3% no primeiro semestre, enquanto a procura por marcas chinesas avançou 124%.

Descontos nos carros novos mudam referência e derrubam valor dos seminovos
Foto: Divulgação/Toyota, Honda, Jeep e Geely

A disputa por preços no mercado de carros novos já mudou o cálculo feito nas negociações de seminovos. Entre janeiro e junho de 2026, veículos com até três anos de uso tiveram queda de 9,3% nos valores efetivamente negociados entre lojistas, segundo a Auto Avaliar. A tabela Fipe recuou 2,4% no mesmo período, e alguns modelos perderam mais de 20%.

O movimento ocorre em meio à ampliação da oferta de marcas chinesas e às campanhas das montadoras tradicionais. Em julho, a Bright Consulting informou que, pela primeira vez em seis anos, o preço médio dos carros novos subiu menos que a inflação em 2026. Considerada a inflação, os veículos zero-quilômetro ficaram 1,5% mais baratos no ano.

Descontos alteram a comparação entre novo e usado

Entre maio e agosto, as fabricantes anunciaram reduções de preço, bônus e outras condições comerciais. O Mitsubishi Outlander PHEV teve desconto de R$ 55 mil; no Suzuki e-Vitara, a redução chegou a R$ 50 mil. O Fiat Fastback Hybrid recebeu abatimento de R$ 38,5 mil, e o BYD Song Pro, de R$ 28,5 mil. No caso do BYD, a mudança também foi associada à chegada do Song Pro Flex.

A Auto Avaliar informa que sua plataforma reúne mais de 27 mil lojistas e mais de 6 mil concessionárias cadastradas, equivalentes a 85% do segmento. Entre os modelos que mais perderam valor no primeiro semestre estão Volkswagen Nivus, Toyota Corolla Cross, Toyota Yaris e Toyota SW4.

Uma simulação da empresa mostra como uma promoção pode inverter a vantagem aparente de um seminovo. Considerando um carro de R$ 88 mil entregue na troca, o Jeep Compass Sport tinha preço de tabela de R$ 174 mil e saía por R$ 147 mil na loja, com financiamento de R$ 59 mil em 30 parcelas sem juros. Cada parcela seria de R$ 1.966,67, com custo total de R$ 147 mil, sem demais taxas.

No Volkswagen Taos Comfortline 2025, o anúncio indicava R$ 164 mil, mas o preço na loja era de R$ 159 mil. O financiamento de R$ 71 mil previa 30 parcelas com 1,6% de juros ao mês, de R$ 2.997,80 cada. O custo total chegaria a R$ 177,9 mil. Assim, apesar de o seminovo aparecer com preço anunciado menor, a operação terminaria R$ 30 mil acima do carro zero-quilômetro.

Geraldo Victorazzo, vice-presidente da Auto Avaliar, afirma que uma redução relevante no preço de um modelo novo passa a servir imediatamente como referência para o consumidor. “O carro não precisa sair da garagem para perder valor”, disse. Para ele, o lojista pode ter comprado o seminovo pouco antes, com base em um valor que já não corresponde às condições encontradas nas concessionárias.

Procura por marcas chinesas cresce

A busca por veículos chineses entre janeiro e julho de 2026 aumentou 124% na comparação com o mesmo período de 2025, de acordo com o Data OLX Autos. Dentro desse levantamento, 27% das pesquisas ficaram concentradas na faixa entre R$ 100 mil e R$ 130 mil.

A plataforma de vendas registra média diária de 565 mil usuários no segmento automotivo no Brasil. Mais de 22 mil veículos novos são anunciados todos os dias, considerando a média de 2026.

Cássio Pagliarini, da Bright Consulting, avalia que a maior confiança do consumidor também contribui para a migração de parte dos compradores de usados para os carros novos. Na avaliação dele, os modelos chineses ganham espaço por combinarem eletrificação, tecnologia e garantia. “A maioria desses carros chineses já entrega eletrificação, tecnologia e um tempo de garantia que dá segurança ao cliente”, afirmou.

Lojistas precisam rever estoques

Entre junho de 2025 e junho de 2026, o preço médio das transações de carros zero-quilômetro caiu 3,5%, enquanto o preço público recuou 1,5%. A diferença indica que as condições praticadas nas lojas podem mudar antes dos valores registrados nas referências tradicionais.

Mesmo com a pressão sobre os preços, o mercado de usados manteve volume elevado. Entre janeiro e julho de 2026, foram negociados 7,9 milhões de automóveis e comerciais leves usados no Brasil, numa proporção de 4,88 veículos usados para cada carro novo vendido.

A Auto Avaliar recomenda que lojistas considerem a velocidade de desvalorização e o prazo estimado para a venda antes de comprar determinados seminovos. Estoques maiores podem aumentar as perdas caso os preços precisem ser reduzidos rapidamente.

Para Tereza Fernandez, a queda dos valores está se consolidando em 2026, mas não configura uma crise generalizada nas lojas de usados. O impacto dependerá da velocidade do recuo, do tamanho da perda e do volume mantido em estoque. Ela também aponta que a inadimplência levou os bancos a adotar critérios mais rígidos, dificultando o acesso ao crédito.

Na troca de um usado por outro, a redução dos preços afeta tanto quem vende quanto quem compra. A consultora avalia, porém, que a principal mudança está na aquisição de um zero-quilômetro, cuja atratividade passa a depender dos descontos das montadoras. Para Pagliarini, a demanda por veículos eletrificados existe, mas a aprovação do financiamento continua limitando os negócios.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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