PARIS — Conversas registradas pela Polícia Federal indicam que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, organizou um jantar para o senador Ciro Nogueira (PP) no restaurante Gigi e determinou que os convidados não arcassem com a conta. A refeição para quatro pessoas custou aproximadamente USD 2.000,00, equivalentes a R$ 10.242,00 pela cotação de 13/04/2024.
Em uma das mensagens, Vorcaro pediu a um subordinado uma “mesa ultratop já com champa e vinho”. O banqueiro também reforçou mais de uma vez que a turma convidada não deveria pagar. A PF afirma que os detalhes do encontro foram identificados em conversas entre Vorcaro e um funcionário.
A investigação também cita benefícios atribuídos a Ciro Nogueira em favor do Banco Master. O senador foi alvo de uma operação da Polícia Federal realizada em maio. Conforme a descrição da corporação, ele teria acesso a um imóvel de elevado padrão de Vorcaro “como se fosse do próprio parlamentar”, além de viagens internacionais, hospedagens, restaurantes e voos privados custeados.
Participação societária
A PF aponta ainda que Raimundo Neto Silva Nogueira Lima, irmão do senador, comprou ações de uma empresa por 7% do valor de mercado. A participação societária, estimada em R$ 13 milhões, foi adquirida por R$ 1 milhão.
Mensagens trocadas por Léo Serrano, que intermediava operações para Vorcaro, também mencionam o pagamento de contas em restaurantes frequentados por Ciro e Flávia até sábado.
Declaração do senador
Após ser alvo da operação, Ciro Nogueira afirmou que acusações contra políticos não são suficientes para comprovar irregularidades. “Agora, comprovar é outra história”, declarou.
O senador disse ainda que já havia sido investigado outras vezes e que mantém a consciência tranquila. Para ele, o dano à honra ocorre antes da comprovação das acusações.








