Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Mendonça barra uso de mansão de Vorcaro como base da PF em Minas Gerais

Pedido para instalar grupo anticorrupção em imóvel de Belo Horizonte foi negado por falta de adequação ao uso policial e pelos custos de adaptação.

Mendonça barra uso de mansão de Vorcaro como base da PF em Minas Gerais
Foto: Reprodução

O ministro André Mendonça negou à Polícia Federal autorização para usar uma mansão atribuída ao banqueiro Daniel Vorcaro como sede provisória de um grupo de investigação em Minas Gerais. Para o relator, a propriedade tem características residenciais e recreativas incompatíveis com o funcionamento regular de uma unidade policial.

A solicitação foi apresentada pela delegada Janaina Palazzo, responsável pelo caso Master, durante as diligências da Operação Compliance Zero. O imóvel fica na Rua Jornalista Djalma Andrade, no bairro Belvedere, em Belo Horizonte, tem 2.697,56 metros quadrados e foi avaliado em R$ 12 milhões.

Imóveis identificados nas diligências

A PF informou ao Supremo que localizou a residência enquanto levantava os imóveis usados por Vorcaro e os endereços das buscas. Funcionários das duas propriedades disseram que elas pertenciam ao banqueiro, incluindo uma casa vizinha que estava em reforma.

A Prefeitura de Belo Horizonte avaliou a primeira residência em R$ 12,48 milhões. O registro permanece em nome do empresário Márcio Barbosa Silva Bissoli, morto em 2018. O inventariante informou que o imóvel passou para a Super Empreendimentos e Participações S.A. em 2022, por R$ 30 milhões, em uma negociação representada por Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro.

De acordo com a PF, a transação foi formalizada apenas por contrato particular, sem escritura pública ou registro em cartório, além de conter cláusula de sigilo. Os investigadores classificaram a operação como um “contrato de gaveta”.

A propriedade vizinha ainda aparece no registro em nome da Cemaf Participações e Administração de Bens S/A. A empresa declarou que vendeu o imóvel em abril de 2025 por R$ 20 milhões à Viking Participações Ltda., administrada por Vorcaro. A Viking também assinou um contrato de R$ 50 milhões para que a família do ministro Alexandre de Moraes assumisse cotas de duas aeronaves do banqueiro.

Argumentos da Polícia Federal

A corporação afirmou que o Grupo de Investigação para Repressão à Corrupção e Lavagem de Dinheiro em Minas Gerais foi criado recentemente e não dispõe de espaço físico adequado. A sede da Superintendência Regional da PF em Minas Gerais foi demolida para dar lugar a uma nova construção, cuja entrega está prevista para 2028. Até lá, as unidades funcionam em dois prédios alugados.

A PF também sustentou que o grupo precisa de um endereço reservado para realizar análise estratégica e produzir inteligência policial no combate à corrupção, sem a circulação de pessoas comum aos prédios com atendimento ao público.

No pedido, a corporação descreveu ambientes com móveis de alto padrão, salas de estar, áreas de lazer, espaço gourmet com bares, academia, spa e quadras de jogos. Os investigadores registraram que não encontraram obras de arte, joias, cofres, veículos, aparelhos eletrônicos ou dinheiro em espécie.

Decisão do ministro

Mendonça considerou que a utilização de um bem apreendido por um órgão público depende, além da conveniência administrativa, da compatibilidade com a finalidade, dos gastos de adaptação e da conservação do patrimônio.

O ministro afirmou que as imagens e o relatório indicavam uma casa voltada ao lazer, ao descanso e ao uso privado, e não à operação cotidiana de uma estrutura policial. Para transformar o imóvel em base institucional, seriam necessárias mudanças em rede e segurança de dados, controle de acesso, arquivos, salas de reunião, custódia documental, instalações elétricas, climatização, acessibilidade e mobiliário.

Segundo Mendonça, essas intervenções poderiam elevar as despesas e alterar ou depreciar o bem, contrariando a finalidade de preservação da constrição judicial.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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