A indústria automobilística tem reinventado funções tradicionais em uma corrida por inovação. Entre as novidades estão retrovisores digitais, cartões que substituem chaves, ajustes feitos pela central multimídia e maçanetas eletrônicas. Algumas soluções podem facilitar a condução; outras tornam operações simples mais trabalhosas ou dependem de condições específicas para funcionar.
O Audi e-tron foi o primeiro automóvel a oferecer retrovisores digitais no Brasil. O sistema era opcional e custava R$ 13.000. Câmeras substituíam os espelhos e transmitiam as imagens para telas instaladas nos painéis das portas. A posição dos monitores foi considerada incômoda, enquanto a imagem era menos realista que a de um espelho. A principal vantagem apontada era a aerodinâmica, já que as câmeras ocupavam menos espaço que as capas dos retrovisores.
Comandos transferidos para telas
Algumas marcas trocaram a chave tradicional por um cartão NFC, que funciona por aproximação. O cartão precisa permanecer disponível para ser encostado em pontos específicos do carro, usados para abrir as portas e dar a partida. Por isso, não pode ser simplesmente deixado dentro de uma carteira.
Em veículos como os da Tesla, o ajuste da direção do fluxo do ar-condicionado é feito pela tela. Para mudar levemente a saída de ar, o motorista precisa acessar menus, em vez de movimentar um seletor manual. O mesmo princípio passou a ser usado para regular a direção e os espelhos: funções básicas foram levadas para submenus da central multimídia.
Sistemas de estacionamento automático também foram criados para realizar balizas. Na prática, o uso pode ser limitado pela falta de espaço para a manobra, pelo tempo necessário para posicionar o veículo e pelo receio da reação de outros motoristas. Fazer a operação manualmente pode ser mais rápido e seguro.
A BYD usa telas de multimídia que giram entre as posições horizontal e vertical. Apesar do efeito visual, a posição horizontal é a mais adequada para aplicativos como Apple CarPlay e Android Auto, que funcionam nessa orientação.
Recursos com uso restrito
O controle por gestos, associado a filmes de ficção científica como Minority Report, de Steven Spielberg, exige prática para que o veículo reconheça os sinais. O comando de voz pode ajudar o motorista a manter a atenção na condução, mas ainda falha ao interpretar instruções e pode gerar discussões confusas.
Maçanetas eletrônicas e retráteis foram adotadas pelo design e pela aerodinâmica, mas podem dificultar o acesso ao veículo em um acidente. Também deixam de funcionar em caso de pane elétrica ou falta de bateria.
Por fim, algumas montadoras oferecem serviços extras e opcionais, como aumento de potência, contratados online pela multimídia do veículo. O modelo prevê assinaturas mensais, mas ainda precisa convencer os consumidores.








