O EFG, banco suíço privado especializado em gestão de patrimônio, identifica oportunidades em empresas que fornecem peças, equipamentos e tecnologias para a infraestrutura de inteligência artificial. A instituição administra mais de R$ 1,2 trilhão globalmente e avalia que o ciclo de investimentos no setor não se limita às grandes companhias de tecnologia dos Estados Unidos.
A estratégia está concentrada em empresas suíças de pequena e média capitalização, menos conhecidas pelos investidores internacionais. São companhias que participam de etapas como a fabricação de semicondutores, o armazenamento de dados e a montagem da infraestrutura necessária para a expansão da computação em nuvem.
Entre os exemplos está a VAT Group, fornecedora de válvulas e sistemas de alto vácuo usados na produção de semicondutores. A empresa representava 3,16% da carteira da gestora do EFG. Outra companhia citada é a Accelleron, que fabrica turbocompressores para sistemas de geração de energia destinados a data centers. Sua participação na carteira era de 2,86%.
Componentes por trás da infraestrutura
A avaliação do banco considera que a expansão da IA exige mais do que modelos de linguagem. O crescimento das hyperscalers, empresas responsáveis pela infraestrutura de computação em nuvem, amplia a procura por chips, equipamentos, armazenamento de dados, componentes de precisão e tecnologias industriais.
Luís Ferreira, diretor de Investimentos (CIO) e vice-CEO do EFG para as Américas, mencionou uma empresa suíça que fabrica pequenos parafusos de precisão usados na montagem de chips. Embora tenham dimensões reduzidas, esses componentes se tornam necessários quando aumenta a demanda por semicondutores e equipamentos.
A carteira busca companhias que fornecem produtos para grandes empresas que investem em infraestrutura de IA, como Nvidia, Amazon e Apple. O banco também defende a diversificação internacional diante da concentração de investimentos em empresas americanas de tecnologia e da exposição ao dólar.
Inovação e desempenho
O EFG considera que a capacidade de inovação da Suíça favorece empresas especializadas em nichos tecnológicos e industriais. De acordo com o ranking da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (WIPO), o país lidera globalmente em inovação há 15 anos. Em 2024, registrou 1.112 pedidos de patentes por milhão de habitantes, o maior número entre os países comparados, incluindo Estados Unidos, Coreia do Sul e China.
O histórico de mercado também é usado pelo banco para sustentar a tese. Entre janeiro de 2004 e junho de 2026, as small e mid caps suíças representadas pelo Swiss Performance Index Extra (SPIEX) acumularam alta de cerca de 580%, conforme dados apresentados pela New Capital, gestora ligada ao EFG. No mesmo intervalo, o S&P 500 avançou 560%, o MSCI World subiu 420% e o mercado acionário suíço cresceu 370%.
Além dos indicadores financeiros, a análise considera investimentos em pesquisa e desenvolvimento, patentes e conhecimento acumulado para identificar onde a inovação pode gerar receita e crescimento.








