Mila Seidl afirmou que a família de Lito Sousa tentou primeiro incluí-lo em um estudo experimental, mas a iniciativa não avançou porque a pesquisa havia sido fechada para novos participantes. Depois dessa negativa, os familiares buscaram outra forma de acesso ao medicamento contra a doença de Creutzfeldt-Jakob.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou na sexta-feira, 4, a importação e o uso do remédio para o influenciador. A autorização ocorreu em caráter excepcional, considerando a rápida evolução da doença e a ausência de patrocinador ou representante do produto no Brasil, segundo a agência.
Mila negou que a liberação tenha resultado de favorecimento de autoridades, empresários ou da própria Anvisa. Ela disse que a família tratou diretamente com a farmacêutica responsável pelo medicamento e reuniu os documentos necessários com o apoio dos médicos que acompanham Lito.
“Não é algo que foi feito excepcionalmente para o Lito, isso existe e qualquer cidadão numa situação como essa pode pleitear”, afirmou Mila. Segundo ela, cabe à Anvisa analisar e decidir pedidos desse tipo. A esposa do influenciador também mencionou a participação do doutor Fugino na preparação da documentação, que incluiu exames e informações fornecidas pela farmacêutica.
Tramitação do pedido
De acordo com Mila, representantes da farmacêutica avaliaram o caso e autorizaram o uso compassivo do medicamento. A partir disso, ela passou a conduzir o processo de solicitação. A tramitação envolveu diferentes instâncias nos Estados Unidos e no Brasil, incluindo a empresa, o Ministério da Saúde, a Anvisa e a agência reguladora norte-americana, a FDA.
A família recebeu apoio na divulgação de uma campanha nas redes sociais, especialmente durante a tentativa de entrada no estudo experimental. Mila, porém, disse que a obtenção do medicamento ocorreu por meios próprios. Ela também relatou que, apesar da aceleração do fluxo diante da urgência, o procedimento levou cerca de uma semana e foi angustiante para os familiares.
A Anvisa informou que o medicamento ainda está em fase pré-clínica e que não existem, até o momento, estudos clínicos formalmente iniciados em seres humanos para avaliar seu uso contra a doença priônica. A modalidade de acesso é destinada a pacientes com doenças graves, debilitantes ou que ameaçam a vida, sem alternativa terapêutica satisfatória.
Em 2024, o tempo médio de autorização de programas de uso compassivo foi de 15 dias, e 48 programas desse tipo foram autorizados. Lito recebeu diagnóstico de uma doença neurodegenerativa rara e progressiva, que atualmente não tem tratamento capaz de interromper sua evolução.







