Ciro Nogueira (PP) não foi eleito no Piauí e deixará o Senado após dois mandatos. O parlamentar ocupava uma cadeira na Casa desde 2011, com uma interrupção entre 2021 e 2022, quando assumiu o Ministério da Casa Civil durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A Polícia Federal investiga a relação de Ciro com Daniel Vorcaro, dono do banco Master. As apurações avaliam se o senador recebeu benefícios para encaminhar, no Congresso Nacional, propostas de interesse do conglomerado financeiro.
Relatórios da PF indicam a existência de um “vínculo funcional estável” entre Ciro e integrantes de diferentes núcleos da organização investigada por supostas fraudes no banco. O senador também é apontado como sócio de Vorcaro em uma empresa.
Proposta sobre o Banco Central
As investigações apontam que Ciro teria usado o mandato parlamentar em favor de interesses de Vorcaro. Entre os episódios analisados está a apresentação da Emenda nº 11 à proposta de emenda à Constituição sobre a autonomia do Banco Central.
De acordo com os documentos policiais, a assessoria do banco Master teria elaborado integralmente o texto, que foi apresentado pelo senador como complemento à versão final da proposta. A medida teria favorecido a instituição financeira privada.
A PF também afirma que Ciro recebia uma mesada de Vorcaro, cujo valor teria chegado a R$ 500 mil. O senador ainda teria acesso a um imóvel de alto padrão do banqueiro, além de viagens internacionais, hospedagens de alto valor, restaurantes de luxo e voos privados.
Defesa do senador
Após ser alvo da Operação Compliance Zero, Ciro afirmou que era perseguido e contestou as acusações. “Agora, comprovar é outra história”, declarou.
O senador disse ainda que já havia sido investigado em outras ocasiões e que as acusações não foram comprovadas. Ciro afirmou ter a consciência tranquila, embora reconhecesse que sua honra havia sido afetada até a conclusão das apurações.








