Um movimento formado por opositores e entidades sociais no Paraná colocou em circulação uma carta aberta com críticas à trajetória política de Sergio Moro (PL), senador e candidato ao governo do Estado. O documento é dirigido ao eleitorado paranaense e concentra os questionamentos na atuação do parlamentar como juiz e nos desdobramentos da Operação Lava Jato.
Os signatários contestam a conduta de Moro durante o período em que ele esteve à frente da 13ª Vara Federal de Curitiba. A carta menciona decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que revisaram processos da operação e sustenta que o ex-magistrado teria ultrapassado os limites da função, com violação da imparcialidade e do devido processo legal.
O texto também cita a sentença que levou Luiz Inácio Lula da Silva à prisão. De acordo com os autores, a decisão foi questionada por juristas e posteriormente anulada pelo STF.
Impactos econômicos
O manifesto atribui às investigações efeitos sobre setores da economia, especialmente petróleo, gás, engenharia e construção civil. A Petrobrás é citada como exemplo de empresa cuja cadeia produtiva teria sofrido retração.
A carta menciona estimativas do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE). Segundo o documento, mais de 170 bilhões de reais deixaram de ser investidos no país. O estudo também é apresentado como base para a afirmação de que a Lava Jato teria contribuído para a destruição de 4,4 milhões de empregos e para a redução da massa salarial em mais de 85 bilhões de reais.
Outro ponto levantado pelos autores é a interlocução entre autoridades brasileiras e órgãos estrangeiros de investigação durante as apurações. Para o grupo, houve descumprimento de trâmites formais.
A carta defende que o histórico de Moro seja discutido criticamente pela população paranaense durante o debate sobre o cenário político do Estado. O senador e sua assessoria de imprensa podem se manifestar sobre o conteúdo.








