CRATO (CE) E BRUSQUE (SC) — Eleitores de duas cidades associadas a lados opostos da política brasileira relatam cansaço com a disputa presidencial. Em Crato, no Ceará, Lula teve 81% dos votos no primeiro turno de 2022. Em Brusque, Santa Catarina, quase 73% escolheram Jair Bolsonaro.
As cidades têm dimensões semelhantes, mas realidades econômicas diferentes. Quatro anos depois, continuam majoritariamente alinhadas a campos políticos opostos. A sensação de desgaste, porém, aparece nos dois locais. Uma pesquisa do Real Time Big Data mostrou que 55% do eleitorado está desanimado com a eleição presidencial.
Em Brusque, a técnica de segurança do trabalho Thaise Martins, eleitora de direita, afirmou que a sociedade está “saturada do sistema”. Ela pretende votar em Flávio Bolsonaro, mas disse que gostaria de ter mais opções: “A gente acaba tendo que votar nele.”
No Crato, Luciana Freire Pinto Maia, servidora de uma universidade federal e eleitora de esquerda, afirmou que a cidade continua majoritariamente lulista. Ela também percebe menos carros adesivados, casas com bandeiras e pessoas dispostas a demonstrar publicamente sua posição política. Ainda assim, disse manter esperança de um dia melhor.
A desmobilização não alterou a polarização regional. Lula conserva sua maior força no Nordeste, enquanto Flávio Bolsonaro tem no Sul uma de suas principais bases. No Nordeste, Lula registra 55% das intenções de voto, contra 25% de Flávio, conforme o Datafolha. No primeiro turno de 2022, Lula recebeu 63,8% de todos os votos na região, e Jair Bolsonaro, 25,8%.
No Sul, Flávio aparece com 47%, contra 31% de Lula. Na votação de quatro anos atrás, Jair Bolsonaro teve 53% de todos os votos depositados na região, enquanto Lula alcançou 35% no primeiro turno.
A comparação entre pesquisas e resultados eleitorais exige cautela. Os dados, porém, indicam que Lula tenta preservar o desempenho anterior, sobretudo no Nordeste, enquanto Flávio busca se aproximar do patamar obtido pelo pai. Em Crato, a memória dos governos petistas ainda sustenta Lula, mas convive com cobranças maiores, principalmente entre os mais jovens. Em Brusque, a direita permanece forte, embora menos mobilizada.









