Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Falta de documentos limita análise das contas da Apex Partners

Laspro aponta divergências contábeis, dados incompletos e operações entre empresas do grupo sem informações suficientes para verificação.

Falta de documentos limita análise das contas da Apex Partners
Foto: Apex Partners/Divulgação

A análise das contas da Apex Partners ficou limitada pela falta de documentos: das 177 empresas incluídas inicialmente no processo de proteção judicial, apenas 23 tinham demonstrações financeiras disponíveis. O levantamento preliminar da Laspro Consultores identificou 25 inconsistências contábeis e apontou que ainda são necessários balanços atualizados, fluxo de caixa projetado e esclarecimentos sobre operações do grupo.

A consultoria foi nomeada pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo para realizar uma análise prévia no processo de tutela cautelar que antecede um eventual pedido de recuperação judicial. O documento foi juntado aos autos na segunda-feira, 31 de agosto. A Laspro afirmou que as inconsistências correspondem a divergências entre registros e apresentações e não permitem concluir sobre a intenção ou a boa-fé dos responsáveis.

Divergências nos balanços

Entre os pontos analisados estão duas versões diferentes das demonstrações financeiras de 2025 da Apex Partners Gestão de Ativos. Os documentos apresentam mudanças na classificação de R$ 50,1 milhões referentes a 2025 e R$ 8,1 milhões relativos a 2024, transferidos entre atividades operacionais e de financiamento. A consultoria pediu esclarecimentos sobre a natureza dos ajustes.

Também houve aumento de R$ 43,3 milhões no valor contábil dos investimentos da empresa. O ganho foi levado ao patrimônio, sem registro como lucro. A Laspro questionou o procedimento e afirmou que esse tipo de reavaliação deixou de ter previsão na legislação societária desde 2007.

Os documentos disponíveis terminam em 31 de dezembro de 2025, embora a crise financeira relatada pelo grupo tenha ocorrido principalmente no primeiro semestre de 2026. Na petição inicial, a Apex informou que a dívida líquida consolidada teria subido de R$ 413 milhões, em janeiro de 2025, para R$ 975 milhões em junho de 2026.

A empresa também relatou frustração de um aumento de capital e o afastamento de Fernando Antonio Kulnig Cinelli em agosto. Esses eventos não aparecem nas demonstrações apresentadas à Justiça. Por isso, a consultoria recomendou a entrega de balanço patrimonial e demonstração de resultado com data-base próxima ao ajuizamento.

Operações dentro do grupo

Operações entre empresas da própria estrutura foram identificadas em 18 das 23 sociedades analisadas. Em oito delas, os débitos internos representam mais de 85% do endividamento total.

O valor a receber de empresas ou pessoas ligadas ao grupo passou de R$ 17,1 milhões para R$ 118,8 milhões em um ano. Os créditos não tinham vencimento definido e incluíam participações societárias. Para a Laspro, as notas explicativas não informam de forma adequada contrapartes, taxas, prazos ou garantias, o que impede a verificação individual das operações.

Questionamentos sobre a recuperação judicial

A legislação exige mais de dois anos de atividade regular para a empresa obter recuperação judicial. Como o processo foi distribuído em 6 de agosto de 2026, a constituição deveria ter ocorrido até 6 de agosto de 2024.

Três sociedades com informações contábeis não atendem, pelos dados disponíveis, a esse intervalo: BRM Apex Proprietários, constituída em 9 de setembro de 2024; BRM Apex Expansão, criada em 1º de outubro de 2024; e BRM Apex Inv VCPE FCP Participações, constituída em 17 de março de 2025. Outras seis empresas de 2024 têm apenas o ano de constituição informado, o que exige consulta à Junta Comercial. Para as demais 155 sociedades, o requisito ainda não foi verificado.

Nenhuma das 177 empresas apresentou relatório gerencial de fluxo de caixa e projeção, documentos exigidos na instrução de um pedido de recuperação judicial. A falta impede a avaliação da capacidade de pagamento de compromissos informados pelo grupo, incluindo R$ 78,2 milhões em resgates de fundos com datas entre 12 de agosto e 30 de setembro de 2026 e dez parcelas mensais de cerca de R$ 7,9 milhões devidas ao Grupo Gazin.

Medidas solicitadas

A Laspro recomendou a intimação das empresas para que apresentem demonstrações de 2025 ainda não entregues, balanços atualizados, fluxo de caixa projetado, extratos bancários, documentos de empresas responsáveis por parte relevante do passivo e explicações sobre as duas versões do balanço.

A Apex Partners não quis se pronunciar. A defesa de Fernando Cinelli afirmou ser necessária uma apuração documental independente sobre os dados das empresas e sobre a cadeia de informações e decisões dentro do grupo. Cinelli disse ter exercido sua posição executiva com “seriedade e transparência” e reiterou o compromisso com a elucidação dos fatos.

Na sexta-feira (4), a Apex apresentou ao Ministério Público do Espírito Santo uma queixa-crime contra Cinelli. A empresa apontou suspeitas de apropriação indevida de recursos e uso irregular de ativos. Uma apuração interna identificou 348 lançamentos em favor de Cinelli, que somariam R$ 27,4 milhões entre 2022 e agosto de 2026.

A empresa informou que parte relevante das transferências não tinha contrato, ata ou autorização societária identificados até o momento. Pediu ao MP-ES investigação criminal, busca e apreensão, bloqueio de bens de Cinelli de até R$ 5 milhões e avaliação de um pedido de prisão preventiva. Também citou suspeitas que, se confirmadas, poderiam configurar apropriação indébita, administração fraudulenta e lavagem de dinheiro.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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