Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Economia

Brasil registra recorde de empresas em recuperação judicial até junho

Foram 6.341 casos, em um cenário marcado por inadimplência empresarial, juros elevados e crédito mais seletivo.

Brasil registra recorde de empresas em recuperação judicial até junho
Foto: Arquivo

O Brasil registrou 6.341 empresas em recuperação judicial até junho, o maior número da série apresentada pelo monitor RGF-BizDoc. O endividamento também atingiu companhias como Casas Bahia, Habib’s e Marabraz, que, em agosto, buscaram a Justiça para renegociar dívidas superiores a R$ 10 milhões.

A deterioração foi associada por especialistas ao aumento da inadimplência entre empresários e aos juros elevados. Para o economista Hugo Garbe, muitas empresas chegaram a esse momento com estruturas financeiras frágeis, enquanto o crédito ficou mais caro e seletivo. Ele avalia que a recuperação judicial costuma resultar de um processo prolongado, e não de um problema surgido em pouco tempo.

Os dados mais recentes sobre inadimplência, referentes a junho, indicam que ao menos 9,1 milhões de organizações tinham dívidas em atraso no país. Em média, cada empresa acumulava 7 contas atrasadas, com débito médio de R$ 25.508,96 por CNPJ.

Acesso ao mecanismo judicial

Na comparação com o primeiro trimestre de 2023, quando havia 4.014 empresas em crise, os pedidos de recuperação judicial aumentaram 57%. A economista Deborah Bizarria afirma que a alta reflete tanto a pressão econômica quanto a ampliação do acesso das empresas a esse instrumento.

O agronegócio é um dos exemplos. O setor passou a contar com decisões do STJ (Supremo Tribunal de Justiça) que permitiram pedidos de recuperação para empresários que não atendem a todos os requisitos legais. No primeiro trimestre de 2026, foram registrados 474 pedidos no segmento, alta de 21,9% em um ano.

Bizarria também citou dados da Serasa que apontam queda nos pedidos feitos por produtores pessoas físicas e aumento entre pessoas jurídicas. Para ela, o resultado pode combinar maior dificuldade financeira e maior acesso à recuperação judicial.

Ambiente de negócios e percepção das famílias

Garbe afirma que a gestão, a estratégia e a estrutura de capital são determinantes para a situação financeira de cada empresa. Bizarria reconhece avanços na abertura e formalização de negócios, na digitalização de procedimentos e na reforma tributária, mas aponta a permanência de custos elevados de financiamento e instabilidade regulatória.

A percepção das famílias não acompanhou a melhora indicada pelo IPCA-15. Pesquisa Genial/Quaest mostra que 43% dos brasileiros consideram que a economia piorou nos últimos 12 meses, enquanto 69% dizem ter menor poder de compra em relação a um ano atrás. Para 33%, a renda e o custo de vida aumentaram; outros 32% não consideram que a renda tenha crescido.

Garbe atribui essa percepção à pressão sobre o orçamento doméstico, causada por juros elevados, endividamento, crédito caro e aumento do custo de serviços. Segundo ele, muitas famílias comprometem parte relevante do salário com financiamentos, cartão de crédito e empréstimos, reduzindo a capacidade de consumo e poupança.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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