SERRA — Uma tentativa de homicídio registrada em 15 de março de 2024 levou a Polícia Civil do Espírito Santo a investigar uma organização criminosa suspeita de atuar no tráfico de drogas em Serra, na Grande Vitória. O caso também alcançou o entorno do atacante David Corrêa, conhecido como DVD, do Vasco.
A apuração começou depois que um jovem ligado ao grupo teria sido sequestrado em Serra Dourada 3. Segundo a polícia, os suspeitos desconfiavam que ele repassava informações sobre as atividades da organização a uma facção rival. A vítima foi colocada em um veículo clonado e levada até Novo Porto Canoa.
Durante o deslocamento, o jovem estaria acompanhado por suspeitos, entre eles Édson Vander da Silva Júnior e Ruan de Freitas Camargo Cruz. No destino, os envolvidos deixaram o carro para conversar. A vítima tentou fugir e foi atingida por disparos. Mesmo ferida, fingiu estar morta depois de um novo tiro e conseguiu sobreviver.
O depoimento prestado à Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa da Serra ajudou os investigadores a identificar pessoas envolvidas no ataque, conforme a Polícia Civil.
Édson, de 32 anos, trabalhava como empresário e gestor da carreira de David Corrêa. A polícia também o aponta como uma das lideranças do tráfico em Serra Dourada 3. A investigação afirma que ele e Ruan teriam assumido o controle da região após a morte do antigo chefe do grupo, conhecido como Leleto.
Prisão e análise de celular
Édson foi preso em agosto de 2024, em um apartamento de luxo em Vila Velha pertencente ao jogador. Ruan, de 27 anos, também foi detido na operação.
De acordo com a Polícia Civil, os dois seriam responsáveis pela aquisição e distribuição de drogas, pela divisão de tarefas, pela compra de armas e munições e por movimentações financeiras feitas por meio de Pix.
A ligação de David Corrêa com a investigação apareceu após a análise, autorizada pela Justiça, do celular apreendido com Édson. Os investigadores encontraram conversas entre o empresário e o jogador. O conteúdo levou à apuração de uma possível relação do atleta com a estrutura financeira do grupo e com ações violentas atribuídas aos suspeitos.
As conclusões do inquérito permanecem sob sigilo.








