Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Áudios apontam ameaças antes da morte de Isabelle Caracristi em Fortaleza

Mensagens recuperadas pela polícia relatam controle e ameaças; investigação também analisa encontro de João Munhoz com a ex-esposa.

Mensagens enviadas por Isabelle Caracristi a familiares e amigas antes de sua morte relatam ameaças, controle e proibições atribuídas ao namorado, João Munhoz Neto. A estudante de direito, de 22 anos, foi encontrada morta no prédio onde morava com ele, em Fortaleza, no Ceará, no dia 13 de setembro. João está preso.

Um áudio recuperado pela polícia no celular encontrado junto ao corpo foi enviado por Isabelle a um primo minutos antes da morte. Ela afirmou que vinha guardando situações graves e mencionou ameaças diretas do companheiro. Na mesma mensagem, pediu que o primo desse força à mãe.

O familiar disse que tentou ligar para Isabelle depois de ouvir parte do áudio, mas não recebeu resposta. Em outras mensagens, ela relatou que João controlava suas ações, questionava publicações em redes sociais e não permitia que saísse sozinha. Também afirmou que ele ficava na porta do prédio para impedir sua passagem.

“Eu não estou legal. Eu estou passando muito, muito mal”, disse Isabelle em um dos áudios. Ela também enviou uma despedida ao irmão e à mãe, pediu perdão, afirmou que havia sido vencida pelo medo e pediu que o irmão protegesse a mãe.

Investigação e cobranças financeiras

De acordo com a investigação, Isabelle subiu para a cobertura às 19h12, e o horário estimado da queda foi 20h40. Nesse intervalo, ela passou a maior parte do tempo enviando mensagens para familiares e amigas.

A síndica do prédio declarou que, no dia seguinte à morte, João pediu ao porteiro que verificasse se o celular de Isabelle estava nas lixeiras. Segundo ela, ele também proibiu a entrada da família da jovem no edifício. A mãe e o tio foram ao local naquela tarde e souberam da morte.

Conversas no celular mostram que João cobrou R$ 13,5 mil de Isabelle e afirmou que também precisava do dinheiro da mãe até quarta-feira. A advogada Patrícia Viana confirmou a existência de um empréstimo e disse que, depois disso, João passou a fazer outras cobranças e a exigir a localização da estudante.

Em depoimentos à Polícia Civil, João afirmou que havia emprestado pouco mais de R$ 14 mil a Isabelle e que sua mãe havia emprestado outros R$ 7 mil. Ele negou ameaças e agressões e disse que fez uma cobrança mais firme quando venceu o prazo para devolução.

João foi preso preventivamente na terça-feira (22). Ele é investigado por possíveis crimes de induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio, violência psicológica e obstrução da Justiça. No dia seguinte à morte, mandou limpar o apartamento, retirou objetos e colocou o imóvel à venda.

Encontro com a ex-esposa

Imagens divulgadas na investigação mostram João saindo de uma igreja com a ex-esposa na noite da morte de Isabelle. A defesa confirmou que ele continua casado no papel com outra mulher, mas alegou que os dois estavam separados. A família de Isabelle afirma que ela questionou o relacionamento, enquanto João negava manter contato com a ex.

Os dois comeram um lanche em uma praça. Depois de receber a notícia da morte, João pediu um carro de aplicativo até a rodoviária no mesmo bairro. Em seguida, entrou sozinho no carro do irmão e foi para o prédio onde morava com Isabelle.

O delegado Márcio Gutiérrez afirmou que a polícia busca estabelecer o horário exato em que João soube da queda. O celular dele está sendo analisado, com mais de 400 mil mensagens, além de e-mails e informações de localização. Até o momento, 25 pessoas foram ouvidas.

A defesa de João negou as acusações de controle e abuso psicológico e afirmou que a relação era recente e que Isabelle entrava e saía do apartamento quando queria.

A Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) concluiu que a queda foi voluntária e descartou as hipóteses de empurrão e acidente. A perícia técnica informou que a posição do impacto estava alinhada à extremidade da laje técnica do edifício. Ao menos 700 vídeos das câmeras do prédio são analisados, mas não há equipamentos no terraço nem nas escadas.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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