Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Anac consulta setor sobre intervalos de inspeção e saúde de motores

Propostas abertas a contribuições até 4 de dezembro discutem manutenção baseada em dados, risco e condição real dos componentes.

Anac consulta setor sobre intervalos de inspeção e saúde de motores

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) abriu duas consultas setoriais sobre manutenção de aeronaves. Publicadas em 24 de agosto, as propostas de Instrução Suplementar (IS) recebem contribuições até 4 de dezembro e tratam dos intervalos entre inspeções e da saúde dos motores em operação.

As iniciativas indicam uma mudança na forma de definir a manutenção, com decisões cada vez mais apoiadas no comportamento real dos componentes, em dados confiáveis e na análise de risco. A flexibilidade, porém, exige estrutura técnica e não deve ser confundida com a simples redução do número de inspeções.

Glaysson Henrique da Rocha Cruz, especialista em manutenção aeronáutica e integridade estrutural de aeronaves, afirma que operadores precisam considerar horas e ciclos, falhas, remoções não programadas, discrepâncias repetitivas, resultados de inspeções e consumo de óleo. Também devem acompanhar tendências de temperatura, pressão, vibração e desempenho.

Dados e controle de confiabilidade

Os registros precisam ser precisos, padronizados e comparáveis. Ambiente operacional, frequência de uso, histórico de manutenção e configuração das aeronaves influenciam a confiabilidade e ajudam a dimensionar riscos que horas e ciclos, isoladamente, não mostram.

Ordens de serviço, cadernetas, relatórios de Ensaios Não Destrutivos (END/NDT) e sistemas eletrônicos reúnem informações, mas os dados podem usar nomenclaturas diferentes e não permitir análises estatísticas confiáveis. A organização em taxas de falha, gráficos de tendência e análises de causa raiz pode transformar ocorrências de rotina em evidências para decisões de manutenção.

O histórico das inspeções também pode mostrar a evolução de danos e apoiar mudanças nos intervalos. Para isso, são necessários procedimentos adequados, equipamentos calibrados e profissionais qualificados. “O objetivo não é simplesmente inspecionar menos, mas definir o intervalo adequado com base na condição do componente e no risco associado à falha”, explica Glaysson.

Segundo o especialista, a experiência da Federal Aviation Administration (FAA) mostra que alterações de intervalos devem estar vinculadas a um programa formal de confiabilidade e à supervisão continuada. Diretrizes de aeronavegabilidade, limitações de aeronavegabilidade e outros requisitos obrigatórios têm restrições próprias.

A mudança também não retira a responsabilidade do operador. Sinais de deterioração, aumento de falhas ou perda de eficácia de uma tarefa devem levar à redução do intervalo ou à revisão do método de inspeção. Glaysson defende indicadores, níveis de alerta, responsabilidades, métodos de análise e critérios claros para reverter alterações caso o desempenho se deteriore.

Para ele, um programa estruturado pode reduzir intervenções desnecessárias, aumentar a disponibilidade das aeronaves e direcionar recursos aos pontos de maior risco. A ampliação dos intervalos, entretanto, precisa continuar condicionada à qualidade das informações e à capacidade de reação diante de sinais de deterioração.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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