Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Exame de corpo inteiro pode gerar achados sem benefício comprovado, dizem especialistas

Especialistas alertam que o exame pode identificar alterações benignas, provocar ansiedade e levar a investigações desnecessárias.

Exame de corpo inteiro pode gerar achados sem benefício comprovado, dizem especialistas

A ressonância magnética de corpo inteiro pode encontrar cistos, nódulos e outras alterações que não representam uma ameaça à saúde. Quando esses achados aparecem em pessoas sem sintomas, podem desencadear novos exames, procedimentos invasivos e tratamentos para doenças que talvez nunca causassem problemas.

Esse foi o contexto do caso da atriz Busy Philipps, que contou ter descoberto um oligodendroglioma, tumor no cérebro, depois de fazer o exame espontaneamente. Ela afirmou que não tinha sintomas nem indicação médica e que decidiu realizar a ressonância após ver uma publicação no Instagram.

O que o exame mostra

A ressonância produz imagens detalhadas do organismo por meio de campo magnético e ondas de radiofrequência. Ao contrário de outros exames de imagem, não expõe o paciente à radiação ionizante. Em algumas situações, porém, é usado contraste à base de gadolínio, que exige cuidados e pode provocar reações adversas, como alergias.

Na oncologia, o exame é utilizado para investigar tumores, avaliar a extensão da doença e auxiliar na identificação de metástases. Também pode ser indicado para acompanhar pacientes que já receberam diagnóstico de câncer, conforme o tipo de tumor e a necessidade clínica.

A ausência de radiação não transforma a ressonância de corpo inteiro em exame adequado para todas as pessoas. Para pacientes assintomáticos, ela não é considerada uma estratégia de rastreamento de rotina. O oncologista Abraão Dornellas, do Comitê Científico do Instituto Vencer o Câncer, afirmou que não há evidências de que o uso rotineiro permita diagnosticar tumores precocemente e aumente o número de pacientes curados.

Quando há indicação

O rastreamento depende de evidências de benefício para a população examinada e da avaliação dos possíveis danos causados pelos resultados e pelas investigações posteriores. A ressonância é demorada e exige equipamentos e profissionais especializados, o que interfere na capacidade dos serviços de saúde de atender quem realmente precisa do procedimento.

Para identificar determinados tipos de câncer, existem exames específicos, como mamografia, papanicolau e colonoscopia, realizados em pessoas sem sintomas dentro de critérios definidos. Um exame não substitui o outro, segundo Dornellas.

A ressonância de corpo inteiro pode integrar protocolos voltados a pessoas com risco elevado para determinados tumores. Mulheres com mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, por exemplo, podem ter a ressonância das mamas incluída em estratégias específicas de rastreamento do câncer de mama. Histórico familiar, alterações genéticas e características clínicas ajudam a definir a necessidade de exames.

A oncologista Daniela Pezzutti, do Hospital Samaritano Higienópolis, afirmou que nenhum grande estudo demonstrou aumento da expectativa de vida ou redução da mortalidade geral entre pessoas saudáveis submetidas a ressonâncias magnéticas de corpo inteiro.

Falsos-positivos e sobrediagnóstico

O sobrediagnóstico ocorre quando uma doença é identificada mesmo que nunca causasse sintomas ou problemas ao longo da vida. Já os falsos-positivos são resultados interpretados como doença, embora a alteração encontrada não corresponda necessariamente a uma neoplasia.

Segundo o gerente médico Marcos Rienzo, do Hospital Sírio-Libanês, a ressonância tem chance razoavelmente grande de mostrar estruturas benignas. Esses achados podem provocar ansiedade e levar a uma sequência de exames invasivos. Biópsias, por exemplo, envolvem riscos de infecção e sangramento.

Harley de Nícola, superintendente médico da Fundação Integrada de Diagnóstico, Pesquisa, Educação e Inovação em Saúde (FIDI), classificou o caso de Busy Philipps como uma exceção. Para ele, na maioria das vezes, o exame sem indicação não encontra nada ou identifica uma alteração que causa preocupação sem necessidade.

A recomendação de Rienzo é começar por uma consulta médica, com anamnese e exame físico, para direcionar a investigação. Em alguns casos, nenhum exame pode ser necessário. Daniela Pezzutti também defende uma avaliação individualizada: a ressonância é um bom exame, mas precisa ser bem indicada. Essa abordagem está relacionada à prevenção quaternária, que busca evitar intervenções médicas desnecessárias e reduzir os danos causados pelo excesso de investigação.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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