A nova versão da Siri, equipada com inteligência artificial, retoma a proposta inicial de seus criadores: além de responder a perguntas, a assistente deveria executar tarefas em serviços externos. A mudança ocorre quase duas décadas depois da criação do projeto e após o avanço de sistemas concorrentes de IA.
Dag Kittlaus e Adam Cheyer, responsáveis pela concepção original da Siri, afirmam que a assistente foi pensada como um mecanismo capaz de interpretar pedidos e agir em nome do usuário. Entre as funções planejadas estavam reservar mesas no OpenTable e comprar ingressos no StubHub por meio da conexão com interfaces de programação de aplicações externas.
De ferramenta de ações a funções básicas
A Siri foi fundada em 2007 no Stanford Research Institute. Na origem, a tecnologia buscava ir além de um mecanismo convencional de pesquisa, realizando operações em diferentes serviços a partir de um comando do usuário.
A evolução, porém, ficou distante desse plano. Segundo os criadores, havia dificuldades técnicas para integrar as APIs. Além disso, grandes empresas não queriam incentivar o uso de uma assistente no lugar de seus próprios aplicativos. A Apple também deixaria de receber a taxa da App Store quando uma transação fosse concluída por meio da Siri.
Kittlaus e Cheyer apontaram ainda a morte de Steve Jobs como um fator que contribuiu para a interrupção desse desenvolvimento. Jobs teria uma visão semelhante sobre o potencial da Siri como ferramenta para realizar tarefas. Depois disso, a assistente permaneceu concentrada em funções como definir alarmes e fazer ligações, com pouca integração com serviços de terceiros.
A popularização da inteligência artificial e os avanços para compreender contexto e intenção facilitaram a retomada da ideia original. A Apple passou a desenvolver a Siri como um chatbot e agente de IA depois de pressão do mercado e da evolução de empresas concorrentes, apesar de executivos da companhia terem criticado anteriormente essa direção.








