A Apple afirmou que removeu o ICEBlock e outros aplicativos voltados ao monitoramento de agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos, o ICE, por preocupações relacionadas à segurança. A explicação consta em uma carta enviada em julho ao deputado Jamie Raskin, do Partido Democrata.
A empresa relacionou a decisão às preocupações apresentadas pelo governo de Donald Trump após um tiroteio fatal em um escritório do ICE em Dallas. Também informou que havia autorizado a publicação do ICEBlock em abril de 2025, depois que o criador do aplicativo, Joshua Aaron, tratou de questões relacionadas à privacidade dos usuários.
Revisão do aplicativo
Segundo a Apple, houve aumento significativo na atividade do ICE e no número de ameaças contra a agência naquele período. A companhia afirmou que essa mudança levou a uma nova análise do aplicativo, diante da possibilidade de riscos para agentes e detentos. A empresa também declarou estar atenta às críticas sobre a retirada do ICEBlock da App Store.
Na carta, Timothy Powderly, diretor sênior de assuntos governamentais da Apple, disse que os aplicativos forneciam informações precisas sobre a localização de agentes do ICE e, por consequência, de pessoas próximas, como manifestantes ou detentos. Para a empresa, isso poderia criar um roteiro para violência direcionada e elevar o risco de danos.
A carta afirma que a Apple “não toma decisões sobre a remoção de aplicativos da App Store de forma leviana”, mas age quando identifica riscos à segurança.
Questionamentos de Jamie Raskin
Raskin, membro sênior do Comitê Judiciário da Câmara dos EUA, respondeu à Apple e afirmou que a retirada dos aplicativos pode indicar cooperação com o governo para restringir a liberdade de expressão garantida pela Primeira Emenda. No início deste ano, o comitê abriu uma investigação sobre a participação do Departamento de Justiça dos EUA na remoção dos aplicativos da App Store e do Google Play.
O deputado disse não haver evidências de que os aplicativos tenham sido usados no tiroteio em Dallas, hipótese mencionada na época por Kash Patel, diretor do FBI e aliado de Trump. Raskin também afirmou que o atirador poderia ter encontrado o endereço do escritório por meio de um aplicativo instalado por padrão em dispositivos Apple, provavelmente o Mapas.
Em agosto do ano passado, Joshua Aaron processou autoridades do governo Trump, acusando-as de pressionar a Apple e violar sua liberdade de expressão. As autoridades e Pam Bondi negaram responsabilidade direta pela retirada, rejeitaram a acusação de violação da Primeira Emenda e pediram o arquivamento do processo.








