COREIA DO SUL — O câncer de pulmão é a principal causa de mortes por câncer no mundo. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima cerca de 35 mil novos casos da doença em 2026.
Avanços no tratamento foram discutidos por especialistas durante o Congresso Mundial de Câncer de Pulmão, realizado na Coreia do Sul. Entre os temas apresentados estiveram novas moléculas para tumores agressivos, o uso de avaliações genéticas e moleculares e a escolha de terapias conforme as características de cada paciente.
Novas opções para tumores agressivos
Entre os estudos destacados estavam os relacionados ao câncer de pulmão de pequenas células, tipo de tumor que se desenvolve mais rapidamente e apresenta maior tendência de se espalhar para outras regiões do corpo.
Uma das frentes avaliadas envolve os anticorpos conjugados à droga, medicamentos que combinam anticorpos monoclonais com substâncias de alta potência. Os resultados apresentados indicaram eficácia oncológica e apontaram que essas medicações podem se tornar opções de tratamento em um futuro próximo.
Outro estudo analisou a radioterapia profilática de crânio, frequentemente indicada porque pacientes com câncer de pulmão de pequenas células têm maior risco de desenvolver metástases no sistema nervoso central. A pesquisa também considerou a possibilidade de piora cognitiva associada ao tratamento. Apesar de questões metodológicas que precisam ser avaliadas, os dados podem ser discutidos entre pacientes e oncologistas.
Tratamento conforme o perfil do tumor
O câncer de pulmão de não pequenas células, tipo mais frequente da doença, também foi tema de estudos sobre o risco genético em fases iniciais. A avaliação pode ajudar a definir a estratégia mais adequada para cada paciente.
Pacientes com maior risco de recidiva, identificado por análises genéticas e moleculares, podem se beneficiar de tratamentos mais individualizados. A medicina de precisão também avançou no uso de medicamentos voltados às chamadas mutações driver e aos mecanismos de resistência do câncer.
Essas alternativas são importantes para casos em que o tumor volta a progredir depois de uma resposta ao tratamento. Novas terapias podem atuar sobre mecanismos de resistência que surgem ao longo da evolução da doença.
Pesquisadores brasileiros também participaram de estudos e do desenvolvimento de novas moléculas apresentados no congresso. A participação foi destacada como parte da evolução do cuidado do câncer de pulmão, que envolve centros internacionais e pesquisadores do Brasil.
Ainda existem desafios para identificar quais pacientes podem se beneficiar de cada estratégia e para ampliar o acesso às novas opções. Os estudos apresentados reforçaram uma abordagem cada vez mais direcionada às características individuais de cada tumor e de cada paciente.








