Três senadores democratas dos Estados Unidos enviaram uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, para questionar a postura do governo Donald Trump diante da eleição presidencial brasileira marcada para 4 de outubro. Os parlamentares alertaram contra qualquer tentativa de interferência no processo eleitoral e perguntaram se Washington reconhecerá o resultado certificado e manterá relações diplomáticas normais com o candidato escolhido de forma livre e justa.
Jeanne Shaheen, Tim Kaine e Peter Welch também demonstraram preocupação com a atuação de Darren Beattie, assessor sênior do Departamento de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental. Os senadores o apontaram como principal articulador de ações agressivas contra a democracia brasileira. Na carta, afirmaram que Beattie tem histórico de declarações públicas alinhadas à extrema-direita e de críticas às instituições democráticas do Brasil.
Pressão sobre o governo brasileiro
Donald Trump ainda não declarou apoio explícito na disputa brasileira, embora tenha sinalizado preferência pelo senador Flávio Bolsonaro (PL). O presidente norte-americano também adotou medidas contra o Brasil em razão do processo judicial envolvendo Jair Bolsonaro (PL), condenado a mais de 27 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado.
Beattie integrou a primeira gestão de Trump e foi demitido da função de redator de discursos após sua presença em um encontro de supremacistas brancos ser confirmada. Depois, fundou o Revolver News, descrito como um veículo que amplificou teorias conspiratórias falsas sobre a invasão ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021. Ele assumiu o cargo no Departamento de Estado em fevereiro, sem passar por sabatina ou confirmação do Senado, e aparece no site do órgão como uma das principais vozes da política externa para o Brasil desde novembro de 2025.
Em março, o governo brasileiro negou a Beattie um visto de entrada durante uma escalada de tensões diplomáticas entre Brasília e Washington. O presidente Lula declarou que a medida ocorreu depois de o governo Trump impedir a viagem do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, aos Estados Unidos. O Ministério das Relações Exteriores informou que o assessor norte-americano omitiu ou falsificou informações relevantes sobre o motivo da visita.
Outros pontos de atrito
Em maio, Trump recebeu Flávio Bolsonaro no Salão Oval. Depois, classificou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, decisão criticada por Lula como interferência nos assuntos internos do Brasil. Em julho, os Estados Unidos aplicaram tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, sob a alegação de práticas comerciais desleais, após uma investigação iniciada em meio ao embate entre os chefes de Estado.
Na carta, os senadores disseram que as pressões diplomáticas, econômicas e políticas de Washington podem enfraquecer as instituições democráticas brasileiras, reduzir a confiança no processo eleitoral e prejudicar a relação com o país. Eles também afirmaram que a atuação do governo Trump em processos eleitorais recentes da América Latina representa risco à integridade das eleições e à confiança pública nas instituições democráticas da região.








