Elon Musk voltará a ocupar uma função formal na administração de Donald Trump como integrante da direção do Projeto Meridian, iniciativa do Pentágono voltada ao estudo de tecnologias e cenários militares que podem influenciar as guerras do futuro. O anúncio foi feito pelo secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, durante um discurso na base dos Fuzileiros Navais em Quantico, na Virgínia.
A condução do projeto ficará sob a supervisão de Emil Michael, subsecretário de Defesa para Pesquisa e Engenharia. Também participarão Palmer Luckey, fundador da Anduril Industries, e Newt Gingrich, ex-presidente republicano da Câmara dos Representantes. Musk, Luckey e Gingrich dividirão a direção da iniciativa.
“Estamos aproveitando uma fonte única de vantagem americana”, afirmou Hegseth ao apresentar o projeto. Segundo o secretário, o grupo deverá avaliar o futuro e apontar quais áreas os Estados Unidos precisam dominar, além das capacidades que devem ser aperfeiçoadas.
Prazo e objetivos do projeto
O Projeto Meridian reunirá representantes do setor privado e especialistas em tecnologia, inovação, academia e políticas públicas. O grupo terá 120 dias para apresentar suas conclusões ao Departamento de Defesa, com propostas para desenvolver, testar e empregar novas tecnologias militares.
O Pentágono pretende identificar os ambientes, armamentos e sistemas tecnológicos que terão maior importância nos conflitos das próximas décadas. A análise deverá considerar diferentes campos de batalha e formas de acelerar a adoção de tecnologias avançadas pelas Forças Armadas.
No mesmo discurso, Hegseth anunciou iniciativas relacionadas à guerra autônoma e à ampliação do uso de drones e de outros sistemas não tripulados. O secretário também disse que o governo buscará conhecimento fora da estrutura tradicional das Forças Armadas.
A participação de Musk ocorre enquanto empresas ligadas a ele mantêm relações comerciais com o governo dos Estados Unidos. A SpaceX participa de projetos estratégicos de infraestrutura espacial e militar. A xAI, empresa de inteligência artificial criada pelo empresário, fechou um acordo com o Departamento de Defesa em 2026 para permitir o uso do Grok em sistemas militares sigilosos.
A presença de Musk e Luckey no grupo gerou questionamentos públicos sobre possíveis conflitos de interesse, já que suas empresas têm contratos de defesa.
Retorno à administração Trump
A nomeação marca o retorno formal de Musk ao governo depois de sua saída, em maio de 2025. Antes, ele havia atuado no Departamento de Eficiência Governamental, o Doge, criado para promover cortes de despesas e mudanças na administração federal.
A relação com Trump se deteriorou quando Musk passou a criticar um projeto fiscal e orçamentário defendido pelo presidente. O empresário chamou a proposta de “abominação” e afirmou que ela poderia “levar os EUA à falência”. Trump associou as críticas ao fim de benefícios destinados ao setor de veículos elétricos.
Nos meses seguintes, os dois retomaram a aproximação. Musk voltou a participar de compromissos da Casa Branca e, nesta semana, esteve em um encontro de Trump com executivos do setor de inteligência artificial. O Projeto Meridian é sua primeira função oficial de aconselhamento na administração desde a ruptura de 2025.
Musk também retomou o financiamento político de republicanos. Depois de desembolsar mais de US$ 250 milhões para apoiar Trump e outros candidatos do partido nas eleições de 2024, ele voltou a fazer contribuições para candidaturas e organizações republicanas. Os aportes relacionados às eleições legislativas de novembro de 2026 somam pelo menos US$ 90 milhões.








