CURITIBA — A filiação do senador Sergio Moro ao PL provocou uma crise no partido no Paraná e levou à saída do deputado Fernando Giacobo da presidência estadual da legenda. O parlamentar deixou o grupo após 24 anos de atuação no partido, em reação à decisão da direção nacional de lançar Moro ao governo do Estado.
A ruptura também atingiu prefeitos alinhados ao governador Ratinho Júnior (PSD). Na quinta-feira (26), Giacobo comandou um encontro em desagravo ao governador, com a presença de 48 dos 53 prefeitos do PL no Paraná. A expectativa declarada por ele é que quase todos deixem a sigla em apoio a Ratinho Júnior e em rejeição à chegada de Moro.
A filiação do senador foi concluída na terça-feira (24), com o aval de Flávio Bolsonaro e Valdemar Costa Neto. Moro será o candidato do PL ao governo estadual. Filipe Barros, que apoiou a entrada do senador, manterá sua candidatura ao Senado e assumirá a presidência estadual do partido.
Disputa pelo comando do partido
A ala paranaense do PL defendia o apoio ao candidato escolhido por Ratinho Júnior para o Palácio Iguaçu. Em troca, o partido buscava espaço na chapa, com Filipe Barros na disputa pelo Senado. Giacobo afirmou que a direção nacional atropelou esse entendimento ao escolher Moro.
Ao anunciar a saída, o deputado disse: “Não fui eu que quebrei acordo nenhum. Não fui eu que filiei o Moro para ser candidato a governador, que não é o candidato do Ratinho.” Em discurso aos aliados, também afirmou que não poderia “jogar [sua] biografia na lata do lixo”.
Giacobo procurou apresentar o rompimento como uma divergência eleitoral, não como afastamento do bolsonarismo. Em publicação após o encontro em Curitiba, afirmou que deixava o cargo para apoiar Ratinho Júnior e declarou: “Sigo sendo o mesmo: de direita, apoiando o nosso sempre presidente Bolsonaro”.
Antes da filiação de Moro, Giacobo havia colocado o próprio nome à disposição para disputar o governo, com apoio de prefeitos e de setores do partido no interior. Ele também tentou se viabilizar por meio de uma pesquisa contratada pelo diretório nacional, mas a divulgação do levantamento foi barrada por liminar do TRE-PR.
O presidente da Associação dos Municípios do Paraná, Marcel Micheletto, afirmou que o grupo permanecerá ao lado do governador Ratinho Júnior. Moro, por sua vez, lidera até agora as pesquisas para o governo do Estado, enquanto Ratinho ainda não definiu quem será o candidato à sua sucessão.
A entrada do senador ocorreu um dia depois de Ratinho Júnior anunciar a retirada de sua pré-candidatura à Presidência da República. Com a permanência no governo até o fim do mandato, o governador passou a concentrar esforços na sucessão estadual. A decisão aumentou a disputa pelo comando político da direita no Paraná.
A reaproximação entre Moro e a família Bolsonaro ocorre após anos de conflitos. Moro entrou no governo em 2019, rompeu com Bolsonaro em 2020 e passou a ser criticado pelo então presidente e por seus filhos. Houve uma trégua no segundo turno de 2022, quando o senador apoiou Bolsonaro contra Lula, e uma tentativa do PL de cassar o mandato de Moro em 2024.








