Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Moraes questiona validade de relatório da PF e nega mensagens com Vorcaro

Em defesa apresentada ao STF, ministro afirma que não há mensagens de sua autoria e contesta a condução da investigação por André Mendonça.

Moraes questiona validade de relatório da PF e nega mensagens com Vorcaro
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Alexandre de Moraes contestou a validade da investigação da Polícia Federal sobre sua relação com Daniel Vorcaro e afirmou que não existem mensagens de sua autoria no material extraído do celular do banqueiro. A manifestação foi apresentada em uma petição de 44 páginas ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, antes do julgamento que decidirá, às 10h, se o procedimento será aberto ou arquivado.

O ministro também declarou que as suspeitas são uma “farsa montada” e atribuiu a divulgação do caso a uma vingança de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. Moraes negou ter trocado mensagens com Vorcaro e disse que as acusações têm motivação político-eleitoral.

Como a PF identificou o contato

A Polícia Federal localizou o contato de Moraes no celular apreendido de Vorcaro em 17 de novembro. Para isso, cruzou metadados, arquivos temporários e registros da agenda do aparelho. O número estava salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”.

De acordo com a investigação, Vorcaro escrevia textos no bloco de notas, fazia capturas de tela que geravam arquivos em PDF e, segundos depois, abria o WhatsApp para enviar o conteúdo. A primeira interação registrada no aplicativo após essas capturas foi o envio para o número associado ao ministro.

Moraes sustentou que não há qualquer mensagem ou bloco de notas escrito por ele. Também afirmou que os registros não provam quem seria o interlocutor, nem que os textos tenham sido efetivamente enviados ou visualizados.

As mensagens atribuídas a Vorcaro envolveriam pedidos para que Moraes atuasse junto ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, em relação às investigações sobre negócios do Banco Master. O material também inclui referências a um contrato de R$ 131 milhões entre Viviane Barci de Moraes e Vorcaro, a uma possível saída do banqueiro do País antes da prisão, a pagamentos ao escritório Barci de Moraes e a cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para os filhos do ministro.

Críticas à condução do caso

Moraes alegou que a apuração foi realizada sem pedido da Procuradoria-Geral da República e sem autorização do plenário do STF. Para ele, o relatório produzido sob a relatoria de André Mendonça seria nulo por causa da origem da determinação judicial e pelo uso de conclusões sem comprovação, fragmentos e interpretações consideradas indevidas.

O ministro também questionou a preservação dos dados do celular. Segundo ele, a quebra da cadeia de custódia permitiria a inclusão de arquivos falsos e mensagens em blocos de notas, além de possibilitar acesso de terceiros ao material.

Mendonça informou à presidência do Supremo que seu gabinete possui uma cópia dos dados extraídos do aparelho. O material teria sido entregue pela Polícia Federal em março como cópia de segurança, enquanto o arquivo original permanece sob custódia da corporação em Brasília. Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e o próprio Moraes também pediram acesso aos dados brutos, encaminhados pela PF aos respectivos gabinetes.

Moraes afirmou ainda que Mendonça teria requisitado o material bruto em seu gabinete, ignorando procedimentos de segurança e assumindo funções de investigador. O relator declarou que a cópia foi recebida para preservar os dados caso o arquivo original fosse corrompido.

Referência ao caso Nabas

Na defesa, Moraes citou a investigação envolvendo o perito criminal João Cláudio Nabas. A Polícia Federal informou em maio que havia identificado dois arquivos, intitulados “Moraes.pdf” e “Toffoli e esposa.pdf”, produzidos a partir de citações aos ministros encontradas no celular de Vorcaro.

Nabas teria sugerido a colegas o vazamento do material. A apuração levou a uma busca e apreensão contra o perito, sob suspeita de violação de sigilo funcional, e ao afastamento dele das funções.

Moraes afirmou que Mendonça já tinha conhecimento formal da menção ao seu nome desde a operação contra Nabas, mas não teria encaminhado o caso ao plenário porque pretendia conduzir a investigação em um momento político-eleitoral considerado mais conveniente.

O ministro associou a divulgação do relatório à véspera dos comícios de 7/9. Também acusou o relator de direcionar a apuração para incriminar um integrante do STF, atingir o presidente do Senado Federal e favorecer um grupo político nas eleições de outubro de 2026.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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