Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
O Brasil em um ponto
Política

Lula critica Trump na ONU e alerta contra interferência nas eleições brasileiras

Presidente afirmou que o Brasil não cabe no quintal de ninguém e rejeitou terceirizar aos Estados Unidos o combate ao crime organizado.

Lula critica Trump na ONU e alerta contra interferência nas eleições brasileiras
Foto: Michael M. Santiago/Getty Images

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou seu discurso na Assembleia-Geral da ONU para criticar Donald Trump e alertar contra interferências estrangeiras nas eleições brasileiras. Lula afirmou que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém”, citou as eleições do próximo dia 4 e rejeitou a possibilidade de transferir aos Estados Unidos o combate ao crime organizado.

Trump também levou a disputa política brasileira ao cenário internacional ao reunir aliados latino-americanos em torno do Escudo das Américas, iniciativa lançada em março deste ano para ampliar a cooperação regional contra o crime organizado transnacional. O programa inclui a classificação do PCC (Primeiro Comando da Capital), do CV (Comando Vermelho) e de outros 22 cartéis como organizações terroristas.

Influência e intervenção

A atuação dos Estados Unidos pode incluir preferência pública por um candidato e o uso de instrumentos diplomáticos, comerciais e econômicos para pressionar governos brasileiros. Eventuais financiamentos ou ações estrangeiras ilegais em uma campanha, se comprovados, seriam interferência e deveriam ser enfrentados pelas instituições brasileiras.

Essa possibilidade é diferente de uma intervenção ou de uma tutela da democracia brasileira. Steven Levitsky e Lucan Way usam o conceito de leverage para definir a vulnerabilidade de um país à pressão de potências estrangeiras. Quanto maior a dependência econômica e geopolítica e menores as alternativas disponíveis, maior seria a capacidade de coerção externa.

O Brasil, porém, mantém relações comerciais distribuídas entre diferentes parceiros e vínculos com Estados Unidos, Europa e China. O país também tem agronegócios, indústria e serviços diversificados e não depende de petróleo, ajuda externa ou de um único mercado para sobreviver.

A estrutura política também é apontada como proteção contra uma tutela externa. Depois de quatro décadas de democracia, o país tem eleições competitivas e incertas, Congresso fragmentado, Judiciário independente, federalismo, imprensa livre, sociedade civil organizada e opinião pública mobilizada.

Isso não elimina a pressão americana, mas diferencia pressão de controle e influência de intervenção. Nesse cenário, Trump aparece como personagem útil aos dois polos da eleição: para um lado, Lula aproximaria o Brasil de uma Venezuela sujeita à intervenção americana; para o outro, uma vitória de Flávio Bolsonaro levaria à submissão do país aos interesses de Washington.

As duas narrativas, conforme a análise apresentada, ampliam o papel dos Estados Unidos e reduzem a capacidade de resistência do Brasil. A ameaça estrangeira transforma uma eventual derrota eleitoral em risco à soberania nacional, fazendo de Trump um personagem das campanhas dos dois lados.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5