BRASÍLIA — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira, 18, que cinco ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) estão ligados direta ou indiretamente ao escândalo do Banco Master. Ele citou Alexandre de Moraes e Dias Toffoli e disse que, antes de discutir uma reforma do Judiciário, é necessário resolver o caso.
Em entrevista à Rádio Tupi, Lula declarou que a crise no STF contamina o processo eleitoral e pode respingar na reta final da disputa. O presidente afirmou que ninguém está defendendo os negócios atribuídos aos ministros e disse que quem quiser chegar à Suprema Corte não pode ter como objetivo ficar rico.
Lula elogiou a atuação de Moraes nas eleições e na manutenção da democracia, mas mencionou o contrato do escritório da mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes, com o Banco Master. Também citou transações relacionadas ao resort Tayayá, envolvendo a família de Toffoli, e mensagens sobre um possível encontro de Kassio Nunes Marques com uma acompanhante cujo pagamento teria sido feito por Daniel Vorcaro, dono do banco.
O presidente afirmou que informações sobre o caso ainda serão divulgadas e mencionou os ministros André Mendonça, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Gilmar Mendes. Ao falar das investigações, fez críticas a supostas festas promovidas por Vorcaro e afirmou que o banqueiro teria corrompido pessoas da Suprema Corte, deputados e senadores.
Críticas a Bolsonaro e ao Rio
Lula responsabilizou o governo de Jair Bolsonaro pela transformação de Vorcaro em banqueiro e afirmou que o Banco Master não existia antes desse período. Segundo o presidente, o banco provocou um desfalque de R$ 60 bilhões e envolveu outros bancos e governos estaduais.
O presidente também criticou Flávio Bolsonaro e afirmou que pessoas da família Bolsonaro estariam ligadas a milicianos do Rio de Janeiro. Sobre o ex-governador Cláudio Castro, disse que ele está envolvido na relação com Vorcaro. Lula repetiu a frase: “Eles (governo Bolsonaro) tornaram Vorcaro banqueiro, eu o tornei prisioneiro”.
No Rio, Lula elogiou o governador interino, o desembargador Ricardo Couto, e afirmou que cinco governadores do estado já foram presos por escândalos de corrupção. O presidente disse que seu compromisso é tentar restabelecer o Rio de Janeiro.
Segurança pública e jornada de trabalho
Lula afirmou que o governo federal trabalha em três frentes contra o crime organizado: sufocar a logística das organizações, retomar o controle de territórios e comunidades e fortalecer a atuação dos municípios.
Ele disse que pretende anunciar uma experiência no Rio para retomada de territórios e segurança pública. Se der certo, o plano piloto poderá ser aplicado em todo o País. O presidente também afirmou ser contrário a intervenções pontuais pelo Exército e defendeu presença permanente da polícia, 24h por dia durante 365 dias por ano.
Lula mencionou ainda uma proposta de emenda à Constituição para ampliar as atribuições da União na segurança pública e prometeu transformar 138 cadeias em presídios de segurança máxima.
Na entrevista, o presidente também defendeu o fim da escala 6x1. Segundo ele, a mudança seria importante para todos os brasileiros, especialmente para as mulheres, porque os trabalhos domésticos muitas vezes recaem sobre elas.








