COPACABANA — O trabalho de Rodrigo Castro de Jesus, conhecido como Rodrigo Cass, ganhou destaque este mês no 39º Panorama da Arte Brasileira — Depois que tudo foi dito, realizado no MAM São Paulo com curadoria de Diane Lima. A exposição ocorreu após uma trajetória consolidada em bienais, festivais e mostras internacionais.
O artista era representado no Brasil pela Fortes D’Aloia Gabriel, responsável por descobri-lo, e nos Estados Unidos pela galeria Anthony Meier. Obras suas integram coleções institucionais brasileiras e internacionais, entre elas o Pompidou e o Thyssen-Bornemisza, em Madri.
Rodrigo morreu ontem em um acidente no mar, na praia de Copacabana. Ele estava no auge da carreira e da realização pessoal. A morte interrompeu o percurso de um artista cuja produção combinava pintura, escultura, instalação e vídeo.
Formação no mosteiro
Nascido em São Paulo, em 1983, Rodrigo viveu de 2000 a 2008 em um mosteiro da Ordem dos Carmelitas, onde estudava para ser padre. Nesse período, começou a pintar e aprendeu a produzir ícones, imagens sacras da tradição bizantina.
A formação influenciou sua relação com geometria, cor e contenção formal. Para Rodrigo, o ícone seguia regras de representação e funcionava como ligação entre o mundo visível e o espiritual. Em 2006, durante os anos no mosteiro, ele se graduou em Artes Plásticas pela Faculdade Santa Marcelina. Nos dois anos seguintes, estudou Filosofia e Teologia na Faculdade Jesuíta, em Belo Horizonte.
Depois de deixar a ordem, substituiu as narrativas bíblicas por formas geométricas e materiais como linho, concreto, papel, fotografia e objetos cotidianos. A economia do gesto e a atenção à imagem permaneceram entre as características de sua obra. Mesmo após sair do mosteiro, continuou fazendo retiros a cada dois meses.
Luto e legado
Rodrigo começou a chamar atenção no começo dos anos 2010 e, desde então, ampliou sua presença no circuito artístico. Tímido, conversava sobre arte e teologia com sinceridade e paixão. Conhecidos próximos o descreviam como uma pessoa de delicadeza, simplicidade e generosidade.
Ele deixa a mãe, irmãos, o marido, Paulo, além de familiares, amigos, galeristas, colecionadores e outras pessoas que conviveram com ele. Sua trajetória espiritual foi transformada em linguagem artística de maneira original, enquanto sua produção preservou a busca pela beleza e pela verdade pessoal.









